Grandes Manobras europeias 2: Portugal está «em guerra indireta» com a Rússia, diz George Soros

UcrâniaMapaGeorgeSorosA Ucrânia irrealista dos demonizadores de Putin: as repúblicas separatistas ucranianas não possuem território apesar de ontem nele terem realizado eleições (o mapa é extraído do artigo abaixo comentado).

«É o momento de os países da União Europeia acordarem e comportarem-se como países indiretamente em guerra». Este apelo à guerra no conflito Rússia-Ucrânia foi escrito por um homem inteligente e em geral pacífico, George Soros, o financeiro que a 16 de setembro de 1992 obrigou a libra esterlina a ajoelhar e a sair do Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio, um antepassado do euro. A frase citada consta de um artigo na prestigiada New York Review of Books, atualmente em linha.

Soros parte do princípio que a Rússia lançou um desafio» político à União Europeia (UE) e sugere que Moscovo agrupará o terço de eleitores eurocéticos revelados nas últimas eleições para o Parlamento europeu pois a UE e sobretudo a eurozona «perderam o norte». Depois de verificar que nem o Estados Unidos nem a UE querem um confronto militar com a Rússia – por isso Washington recusou a Kiev mísseis anticarro Javelin – , afirma que este país destruíu boa parte do arsenal militar ucraniano.

Soros considera «um erro egrégio» obrigar a Ucrânia a um bail in e tenta persuadir a Alemanha da Srª Merkel a reestruturar os 18 mil milhões de dólares de dívida externa ucraniana (menos juro, período mais longo de reembolso). Sem a reestruturação, a Ucrânia falirá e a Rússia ganhará.

Soros afirma que Moscovo continuará a usar a cenoura e a chibata no caso ucraniano; o Presidente Obama acabará por lhe dar mão livre na Ucrânia a troco de uma aliança contra o Exército Islâmico, no Médio Oriente, e do recuo russo na promessa de entregar mísseis anti aéreos S300 à Síria de Bachar al Assad; esse recuo permitiria a manutenção da superioridade aérea dos EUA no Médio Oriente. Em troca, Putin obteria um governo sem inimigos seus em Kiev e um caminho terrestre até à Transdniestra, passando pela Crimeia (ver mapa acima).

Na parte substantiva, é este o argumento de Soros, assente na demonização de Putin e na santificação do grupo dirigente ucraniano, que não foram acima resumidas por uma questão de estilo. O Economista Portugues salienta que

> para aumentar a probabilidade de desenvolvimento económico  a longo prazo da Ucrânia, Soros propõe que aumentemos a probabilidade guerra a curto prazo, pois exclui a metodologia da negociação com Moscovo;

>> chama a atenção para os riscos dessa proposta;

>>> espera que, sendo caso, o governo português se lhe oponha, pois, além de aumentar o risco de guerra, consagraria uma discriminação financeira da UE contra o nosso país, cuja dívida não é reestruturável por proibição da UE-eurozona.

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O artigo de Soros está disponível em

http://www.nybooks.com/articles/archives/2014/nov/20/wake-up-europe/?insrc=hpma

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