A PT vale uma missa nacionalizadora?

PTMorrer pela Pt?

A Altice, uma pequena multinacional de telecomunicações, dona da Cabovisão e da Oni, ofereceu ontem uns sete mil milhões de euros pelas operações portuguesas da PT, basicamente a marca Meo, excluindo as dívidas. Alguns analistas de bolsa qualificam a proposta de boa, as cotações das empresas interessadas subiram, mas não há unanimidade. A proposta é apresentada a pensar na Oi, a empresa brasileira que hoje é a sua acionista maioritária. Por isso, não surpreende que representantes dos acionistas portugueses da PT SGPS tenham franzido o nariz e mandado dizer pelos jornais que dispõem de um direito de veto sobre essa venda da Oi, ao abrigo de um acordo parassocial. Com efeito, a PT SGPS detém uns 24% do capital da Oi. Os acionistas portugueses da Pt são grupos sem coerência financeira e industrial que quererão protecionismo do Estado ou um melhor preço de venda das ações. Veremos se a Altice reage e se aparecem mais compradores interessados.

Ontem também, um grupo onde se destacam João Cravinho, Diogo Freitas do Amaral, Bagão Félix e Francisco Louçã publicou um abaixo assinado intervencionista sobre a PT parcialmente conhecido através da Lusa. Eis o que propõe: A gravidade da situação da PT é incompatível com silêncios, omissões ou acomodações. Está em causa o interesse nacional na sua mais genuína interpretação. Está em causa a prossecução do bem comum e a defesa estratégica da soberania nacional. Por isso, exige-se das autoridades políticas e públicas uma atuação intensamente ativa. «Atuação imensamente ativa» é uma frase muito boa; será do Cruges? Que significará? É óbvio que não há um objetivo: os subscritores queriam talvez dizer «nacionalização»   mas não lhes chegou o word processor e saiu uma frase de retórica oitocentista. Terão os signatários contabilizado os custos da nacionalização da Pt e as vantagens que ela nos traria? A PT estratégica? Estratégica em quê? Henrique IV disse que Paris valia uma missa (era protestante e converteu-se oportunamente para ser rei) mas diria que a PT não vale meia missa.

O abaixo assinado, que ecoa o manifesto dos 74, diagnostica assim as causas do fim da Pt gloriosa: «as razões do descalabro e desmembramento da PT, no contexto da sociedade e da economia portuguesa, advêm, ao longo deste século, de graves erros, distorções, falta de visão estratégica nacional e diluição ética de diferentes níveis de decisão».  A frase é de um Savonarola reconvertido na política económica. Isto é: o diagnóstico é puramente moralístico, voluntarista e ignora a análise económica.

Será que a nossa pertença ao euro e a política atual da União Europeia são estranhas à crise da nossa economia e à da Pt? Depois do euro e com mais uns anos da política financeira de bloco central, que felizmente nos rege, a economia portuguesa será vinha vindimada. O abaixo assinado esquece estas realidades e semipropõe-se semi eliminar uma consequência respeitando amorosamente todas as causas. A sua economia política é fraca mas ele é um bocadinho patriota e nessa medida merece um bocadinho de aplauso d’ O Economista Português. Mas não é assim que vamos lá.

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