Reunião do BCE: o Começo do Fim do Euro?

USPibPorHabitanteemTermosReaisDa deflação só se sai pela guerra. Os Estados Unidos só sairam da Grande Depressão em 1940, graças à Segunda Guerra Mundial (ver gráfico acima). O Japão está em deflação vai para duas décadas, sem conseguir sair. A Alemanha quer que experimentemos a deflação  ao que parece para evitar o regresso do nazismo (fonte: http://visualizingeconomics.com/blog/2011/03/08/long-term-real-growth-in-us-gdp-per-capita-1871-2009). Clique no gráfico para o aumentar.

Hoje em Frankfurte (Alemanha) reúne o conselho do Banco Central Europeu (BCE). Ontem houve o jantart dos governadores. Anteontem, a Reuters publicou um uma notícia de fontes (ocultas) alemãs sugerindo que estava operacional uma minoria de bloqueio contra o Sr. Mario Draghi, o governador do jocosamente batizado Banco Central Europeu. Os governadores são 24 e oito são suficientes para bloquear. Os alemães deram a saber que tinham sete votos no bolso: o deles, claro, e os dos Países Baixos, Luxemburgo, Estónia, Letónia, Eslováquia, Eslovénia e um oitavo hipotético, a Áustria. É o norte contra o sul. Mas o leitor repare que a Finlândia (preocupada com o risco de guerra com a Rússia) e a Bélgica abandonaram a carroça alemã. Na carroça, certo, certo, é a Holanda e a pequenada. O Sr. Hollande, que parece recear mais a Srª Marine Le Pen do que a Srª Merkel, não quererá associar-se a Berlim.

Os alemães acusam o Sr. Draghi de ter estabelecido a meta de um trilião de euros para a intervenção do BCE no mercado, quando disso estava expressamente proibido. Os teutões queixam-se ainda que o dito Sr. Draghi deixou de enviar projetos de medidas de política aos alemães da comissão executiva do BCE, para evitar que estes organizassem fugas de informação. Esta última queixa revela a elevação mental e moral dos queixosos.

O que está em causa é saber se hoje o conselho do BCE aprovará um programa de intervenção, promovendo a atividade económica. O atual programa de compra de ações nunca excederá dez biliões de euros por mês, menos de 2% do PIB europeu e pouco mais do que uma irrelevância. A Alemanha, que arrasta a Europa ocidental para a guerra (fria ? quente?) na Ucrânia, quer arrastá-la para a deflação económica e opõe-se à expansão económica induzida pelo BCE.Ora da deflação só se sai pela guerra (ver o gráfico acima).

O BCE tem por meta uma inflação de 2% e a inflação na Eurozona está no máximo em 0,4% (é a duplicação de preços em 140 anos o que para o Dr. V. Constâncio significa não haver o menor risco de deflação). Nós já estamos em deflação por certo, mas a nossa economia é demasiado pequena para gerar um efeito de arrastamento.

Que diz a Alemanha da meta da inflação a 2% por ela aprovada? A Alemanha gosta de cumprir as metas de que gosta (poucos engenheiros em Portugal, muito desemprego em Portugal para os portugueses pagarem os juros da dívida à Alemanha) mas não gosta de cumprir as metas de que não gosta: 0,4% de inflação lembra-lhe Weimar(lembra-lhe a ela e por certo ao Dr. V Constâncio), recorda-lhe o nazismo e revive-lhe o comunismo, realidades que, como é do domínio público, causam arrepios na sensível espinha da ex-chefe da comunista DDR e atual chancelarina, a Srª Angela Merkel. Por isso, a Alemanha recusa cumprir a meta dos 2% de inflação, parece que só aceitará reflacionar quando já estivermos em deflação impossível de vencer e prossegue as suas campanhas de intoxicação da opinião pública contra o sr. Draghi, preso por querer cumprir as metas a que a Alemanha diz falsamente aderir.

Que acontecerá no BCE de hoje? No Daily Telegraph, Ambrose Evans-Pritchard evoca Armagedão: se o Sr. Draghi for desautorizado, demite-se, é a crise da BCE e o fim previsível do euro; se os alemães forem desautorizados, é a crise política na Alemanha. Caro leitor: não converta (hoje) os seus euros em dólares. A maioria dos observadores inclina-se para um empate. A notícia da Reuters foi posta para influenciar o jantar de ontem e verificar se o Sr. Draghi quer a guerra ou aceita um armistício; como depois desse repasto os alemães não atacaram mais, parece razoável que pensem que o italiano quer o armistício. Isto é: um empate, por hora. Hora a hora Deus melhora.

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