PS: Moção do Dr. António Costa aceita a Política económica do Dr. Passos Coelho

AntónioCostaMobilizarPortugal«Mobilizar Portugal» com o programa económico do Dr. Passos Coelho?

António Costa apresentou a sua moção a secretário geral do PS: propõe-se já em 2015aumentar o salário mínimo  para 522 euros, e esquece  todos os restantes assuntos económicos: dívida, meios para alcançar o prometido crescimento económico, IVA da restauração, IRS, diplomacia económica. Ontem mesmo, o Dr. Ferro Rodrigues, responsável do grupo parlamentar socialista, reconheceu que o PS não tem posição sobre a reestruturação da dívida pública.

Estas omissões significam que nos próximos tempos o PS continuará a apoia a política económica do Dr. Passos Coelho, com uns vistosos ajustamentos de pormenor. Continuamos pois em pleno rotativismo económico: blancos e colorados gritam uns contra os outros mas querem o mesmo. O que é trágico para o nosso país onde, como se sabe, os partidos políticos são titulares do monopólio constitucional da representação política dos cidadãos.

O mais triste é a moção Costa não se dar conta que o mundo está perigoso, a União Europeia em guerra na Ucrânia e a sociedade portuguesa ameaçada na sua existência tal como a conhecemos. O PS critica a política do governo mas responde-lhe como se ela tivesse sido um triunfo: estamos ricos, há mais dinheiro para distribuir. A resposta é implícita mas inequívoca.

O Economista Português apenas conseguiu conhecer a moção Costa pelos relatos da imprensa; na web, não conseguiu encontrá-la.

2 responses to “PS: Moção do Dr. António Costa aceita a Política económica do Dr. Passos Coelho

  1. Guilherme Campos

    Os partidos serem ‘titulares do monopólio constitucional da representação política dos cidadãos’ não é nenhuma monstruosidade opressora. Na verdade não é nenhum problema – é simplesmente o nosso sistema de expressão da vontade democrática. Nada impede a criação de partidos novos e nada impede que esses partidos, assumindo o poder, alterem, se quiserem, as regras a esse respeito. Vejam o exemplo de Espanha – nós também PODEMOS. O poder instalado, ou seja, os partidos ditos ‘do arco da governação’ (em Espanha, em Portugal ou em qualquer lugar) vão, concerteza, montar cerco e tentar destruir essas novas iniciativas. Mas isso é normal; como diz o Prémio Nobel da Paz, se o Mal não reagir, é porque não se sente ameaçado. A resposta está em insistir, ganhar espaço e resistir à corrupção dessas mesmas iniciativas.

  2. O Economista Português considera que a constitucionalização do monopólio partidário da representação política não é uma «monstruosidade» mas é um desvio às regras da competição democrática, aumentando indevidamente os custos de entrada (os partidos existentes não só beneficiam do monopólio referido como se atribuem subsídios que mais dificultam a entrada dos novos). Esta tese é verdadeira seja para que partidos for. Esse monopólio, sendo ou não uma «monstruosidade opressora», confere aos partidos dele beneficiários acrescidas responsabilidades.