A nova Vitória dos Bens não Transacionáveis

AlegroSetubalAlegro em Setúbal: Mil empregos criados; quantos a destruir?

O discurso oficial  é todo a favor dos bens transacionáveis, isto é, exportáveis. Mas quando vemos os negócios do regime, são quase todos de bens não transacionaveis: a PT, o Novo Banco, os hipermercados, aeroportos, águas.

Ontem foi inaugurado em Setúbal um hipermercado Alegro do grupo francês Auchan; é a expansão e modernização do velho Jumbo. Há mais de dois anos que não se via tal coisa. Anuncia-se que criará 1000 empregos diretos – mas é desconhecida a estimativa oficial para os empregos que destruirá no pequeno comércio. Nem é conhecido o conteúdo de importações nas mercadorias que nele serão vendidas.

Como nos bens não transacionáveis o grau de oligopolização é elevado, as empresas são maiores e é normal que sejam mais badaladas. Sem dúvida. Além disso, horresco referens, essas empresas pagam muita publicidade aos meios de comunicação social e tudo leva a crer que essa ação não as torna mal vistas por eles.

Mas isso significa que não construímos novas grandes empresas exportadoras. Todas as «reformas estruturais», em que temos sido tão elogiados pelos nossos credores e turtores estrangeiros, são financeiras e consistem sobretudo em falências ou na repressão da procura. Ora, ao que indicam as sondagens de opinião, o gosto masoquista pela autoridade começa a desertar os eleitorados europeus. Estamos a voltar ao modelo europeísta de subdesenvovimento da economia portuguesa.

Entretanto, as nossas  exportações continuam a desacelerar.

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