Cameron: nova Crise económica mundial paira no Horizonte

UEInflação2014Os preços descem quando a economia caminha para a crise

Segunda feira passada, logo após a reunião do G20 em Brisbane (Austrália), David Cameron, o primeiro ministro britânico, escreveu no diário londrino The Guardian que uma nova crise económica mundial paira no horizonte.

Cameron prepara o orçamento e sabe que tem uma retoma à Passos Coelho; por isso precisa de culpar os outros. Robert Skidelski, o papa vivo do keynesianismo, afirmou ontem, também em The Guardian, que o primeiro ministro britânico aplica a mesma austeridade orçamental da Srª Merkel, impedindo o crescimento económico britânico, o qual só existe porque o Banco de Inglaterra, estando fora do Euro, tem podido injetar dinheiro na economia, ao contrário do Banco Central Europeu (BCE). Mas Skidelski considera acertada a previsão de Cameron.

Regressemos à nossa pátria. Os nossos meios de comunicação social continuampor regra  a tratar-nos de tolinhos, descrevendo um país em expansão económica num mundo maravilhoso e em crescuimento financeiro. Por isso O Economista Português reproduz o alerta do chefe do executivo britânico. O Japão entrou anteontem oficialmente em recessã, o que escurece ainda mais o quadro da nossa procura externa.

A imprensa independente começa a alertar para o custo económico que a União Europeia (UE) paga e pagará pelo boicote à Rússia e esclarece que esta tem sido mais prejudicada pela queda do preço do petróleo do que pelas sanções impostas pela Srª Merkel. O boicote à Rússia é um fator adicional de recessão.

A Europa caminha para a depressão ou estagnação económicas. Uma dieta de dívida alta, crescimento baixo e desemprego alto talvez se torne «a nova norma na Europa», disse a Srª Christine Lagarde, diretora executiva do Fundo Monetário Internacional. A Standard & Poor’s, a agência de ratuing, disse ontem que ou o BCE procede à compra de ativos no valor de um trilião de euros ou economia europeia entrará em crise. A inflação é um bom indicador do que nos espera, pois os preços sobem quando o PIB cresce e descem quando ele decresce: a meta do BCE para a inflação na UE em 2014 é 2% e a previsão é ela quedar-se pelos 0,5% (ver gráfico acima). Mas os alemães invocam que 0,5% é uma inflação de tal modo alta que lhes faz recordar Weimar e a ascensão do nazismo. Também por isso, Berlim opõe-se ao «quantitative easing», o tal trilião de euros.

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