Caso BES: Confirmada a Incompetência do Governador do BdP

CarlosCostaCarlos Costa, governador do BdP, na comissão parlamentar de inuérito ao BES: «Nunca equacionei (…)»

Anteontem o Dr. Carlos Costa, governador do Banco de Portugal (BdP), confessou a sua ignorância de assuntos financeiros na sua deposição à comissão parlamentar de inquérito ao caso BES: «nunca equacionei que um conglomerado misto (junção de empresas da área financeira e não financeira num mesmo grupo) pudesse ter um impacto desta dimensão». Nunca equacionou significa que nunca agarrou nos balanços e fez as contas a partir deles, recorrendo a um computador para aplicar a análise económica e financeira. Esta confissão parecia ser mais uma contradição do banqueiro amador que aterrou no BdP, na cadeira do Dr. Vítor Constâncio; é de tal modo desqualificante, que supusemos que era devida a um erro de transmissão.

Afinal era uma confissão verdadeira. Com efeito, ontem, naquela mesma comissão, o Dr. José Almaça, presidente do Instituto de Seguros de Portugal (ISP) afirmou que a avaliação da Tranquilidade em 700 milhões de euros era inaceitável. Essa avaliação era aceite pelo BdP. O responsável do ISP comparou-a com a Fidelidade: esta tinha 26% do mercado de seguros e foi vendida por 1,1 mil milhões de euros, ao passo que a cota de mercado da Tranquilidade era de 3,28%, cerca de oito vezes menos; em termos de ativos, a  seguradora do GES valia 6,5 menos do que a Tranquilidade. A avaliação da Tranquilidade deveria portanto oscilar entre 135 e 168 milhões de euros, no mínimo quatro vezes menos do que a avaliação aceite pelo BdP. A seguradora do GES foi realmente vendida por um preço próximo destes valores: 50 milhões de euros na mão e 150 milhões prometidos para reforço do capital – um preço muito afastado da fantasia do BdP. Fica assim oficiosamente confirmada a incompetência financeira de Costa, Carlos – a acrescentar à dificuldade que tem em manejar o princípio da não contradição.

E. T. Há duas hipóteses explicativas que excluem a incompetência do Dr. Costa, Carlos: ele teria uma agenda secreta  diferente da pública ou teria sido forçado a mudar de atitude no caso BES. Faltam porém as provas de uma ou de outra – e as teorias conspirativas só devem ser aceites com provas sólidas.

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