Sonhar é caro ou o Terminal do Barreiro contado às Crianças distraídas

PortoBarreiroJoão Carvalho, do Instituto da Mobilidade e dos Transportes, assevera: «Grande parte do comércio com os EUA vai passar por Portugal». Já nos cantaram esta canção quando Marcello Caetano resolveu construir o porto de Sines: ia ser o centro do transshipment para os mercados da Europa rica. Infelizmente, os portos de Roterdão, Hamburgo e Antuérpia desobedeceram a Caetano e por certo desobedecerão a João Carvalho:  não se deslocalizarão para a Mongólia, pelo que continuam ele a transhipar, isto é, a passar a mercadoria de navios grandes e com fretes baratos para outros mais pequenos e com fretes  mais caros mas que levam a mercadoria ao comprador. Ou para combóios de mercadorias.   O terminal do Barreiro por certo implicará o fecho do porto de Lisboa, arruinará o de Setúbal e dará aso a bonitas especulações imobiliárias  sem ter o menor efeito sobre a zona de comércio Europa-América. Já agora, convinha saber qual o regime laboral que que hipoteticamente será aplicado ao Barreiro: favorecerá os fretes caros, as greves e o sindicalismo herdado da «guerra fria»?

Fantasias do tipo «vem aií a América» pagam-se caras.Está a chegar a época da caça aos gambuzinos: os prometidos capitais privados para o Barreiro quererão ser respaldados por 90% de dinheiro do contribuinte? A curiosa linguagem das «forças ocultas» promete fruta. Esperemos pela publicação dos estudos financeiros e de comercialização do porto do Barreiro.

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