Vistos Gold: o protetorado Portugal em vias de se tornar uma filial da Remax

VistosGoldOs fumos de corrupção no caso dos vistos Gold foram desviados para a apreciação dos efeitos económicos da concessão desses vistos: mostrou-se que só se interessam pela nossa economia  alguns chineses da classe média-média que precisam de um apartamento que tenha anexo um passaporte para a zona Schengen. Investimento industrial? Capital financeiro? Criação de emprego? Zero.  Claro que alguma animação do mercado imobiliário é melhor do que nada. Claro que os vistos Gold devem permanecer. Para lhes redourar o lustro, talvez recorrermos à solução tradicional: a reforma por decreto. Neste sentido, Antero do Quental, na veia da carta que escreveu ao papa Pio IX elogiando o Syllabus, sugeriria que passássemos a vender o visto Gold a qualquer cidadão do mundo desde que tivesse um pensamento bom sobre o nosso país e cá comprasse pelo menos um apartamento ou uma leira de cultivo, dispensando-o do incómodo de nos visitar e muito menos de cá residir. Seria bem melhor para a nossa balança de pagamentos do que o atual e exigentíssimo sistema. Para evitarmos corrupção, nos consulados e embaixadas portugueses seria instalada uma máquina de moedas que, a troco do certificado de registo predial, comprovativo da compra do apartamento ou da leira, entregaria ao cidadão o visto Gold. Assim se aformoseariam as nossas representações externas e evitaria a corrupção (nos vistos Gold).

É esse o país que nos prometeram? Ao que parece, não temos um único banco privado de capital português, os bancos estrangeiros agindo entre nós são essencialmente balconistas de dinehrio, destruímos o terrível off shore da Madeira, que seria um começo de coerência de um sistema bancário ainda existente, temos um esqueleto de sistema financeiro comandado de Bruxelas/Frankfurt para impor respeito à banca transpirenaica. Ainda ignoramos como se propagou a legionella assassina mas somos os melhores do mundo a combater o inexistente ebola. É esse o  país que ambicionamos?  Na crise do financiarismo de Regeneração,  Oliveira Martins escreveu que Portugal era uma granja e um banco. Hoje escreveria: Portugal é um banco estrangeiro e a Remax. Os vistos Gold desenham um horroroso retrato do Portugal da troika e dos rotativos PP-PSD-PS.

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