A União Europeia chega à beira do abismo e … pára para refletir

UEUmaPausaParaReflexãoA União Europeia em reflexão

Sexta feira passada o Sr. David Cameron, primeiro ministro britânico, apresentou um plano para diminuir os benefícios que o Reino Unido concede aos imigrantes provenientes da União Europeia (UE). Esse plano violava os tratados da UE e por isso todos pensaram que o Sr. Cameron queria sair da UE.

Foi um pânico. Não admira: a Srª Le Pen prepara-se para derrotar o inimaginável Sr. Sarkozy, em nome da laicidade e da França; o Sr. Juncker, abalado pela moção de censura dos eurocépticos, pediu desculpa pelos seus acordos secretos com as multinacionais: todos sentimos a depressão mortífera a chegar e sabemos que o Banco Central Europeu, na reunião desta semana, deitará poeira nos nossos olhos mas não deitará dinheiro no mercado produtivo em quantidade suficiente e na direção adequada. Fosse como fosse, o pânico Cameron só demorou um momento. Mesmo assim, o facto de ter havido esse pânico é revelador: sabemos todos que hoje a UE é mortal, como diria Paul Valéry.

O pânico só durou um momento porque os britânicos explicaram que o Sr. Cameron quer apenas que as restantes capitais europeias o ajudem a demonstrar aos eleitores britânicos que defende melhor os interesses nacionais britânicos do que o UKIP, o novo partido em ascensão. A ideia é extraordinária para nós, pois todos os nossos partidos políticos (ou quase todos) defendem os interesses da UE e desprezam os nossos.

Será realizável a tática do Sr. Cameron? Ele coloca-se no terreno do UKIP: o do primado absoluto dos interesses nacionais. A UE por seu turno coloca-se no oposto, a defesa dos interesses federais (os dos nossos amorosos credores em primeiro lugar). É duvidoso que a UE possa ajudar as táticas do Sr. Cameron. Mesmo que possa: dar o ouro (nacionalista) ao bandido não dissuade os bandidos (nacionalistas) e o UKIP reclamará para si a menor vitória do Sr. Cameron. Se a UE não puder ajudar, que acontecerá ao Sr. Cameron e à própria UE? Para responder, o leitor nem precisa de ir buscar a bola de cristal.

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