O BES não pediu o Dinheiro da Troika porque queria Esconder as suas Contas?

ueThe Cat of La Méditerranée, 1949Balthus, O Gato do Mediterrâneo

Um leitor d’ O Economista Português disse-lhe que ele «defendia muito» o Dr. Ricardo Salgado. A frase, aliás amistosa, é involuntariamente reveladora do clima vigente em Portugal: entre nós, prevalece o princípio que as acusações graves não necessitam de prova, bastando a repetição delas na comunicação social não estatizada e por isso em absoluto dedicada a servir o bem público, mesmo contra os interesses ou as simples manias  de quem lhe paga os ordenados no fim do mês e o perú no Natal. Por seu lado, O Economista Português nem defense, nem ataca, apenas espera que sejam provadas as acusações e, antes disso, presume a inocência. Nõ é por as acusações serem graves e repetidas que este blogue acredita nelas.

O mesmo leitor informou O Economista Português que na Comissão de Inquérito Parlamentar, o Dr. Ricciardi teria afirmado que o Dr. Ricardo Salgado não teria querido pedir ajuda financeira ao Estado para esconder as contas do BES. Este argumento ignora :

  1. Passaram-se três anos desde a abertura dessa linha de crédito e, na primeira ronda da sua mobilização, quando o Estado estava a colocar esses empréstimos na praça, o BES ao que parece não precisava de tal crédito;
  2. Numa praça financeira a sério, banco que peça ao Estado é banco semifalido – e deixa de ser tido como parceiro válido; o BES por certo sabia disso e não quis baixar para a terceira divisão bancária;
  3. O BdP (Banco de Portugal) como regulador tinha poderes para ver as contas do BES (isto é: para pagar com o dinheiro público a uma empresa estrageira para as ver por ele, dada a proverbial falta de pessoal dos organismos portugueses e a sua superior competência, que tem que ser entregue a problemas mais altos) e por isso o BES nunca poderia esconder as suas contas.  Pensar o contrário é acalentar maus pensamentos sobre o regulador.

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