TAP: Quando o Governo vira Sindicato, é melor travar a Privatização

AtlânticoSulMuitos portugueses imigraram para regiões politicamente instáveis

Já havia vários argumentos contra a privatização da TAP:

  • Em Portugal, privarizar é estrangeirar: os casos BES e PT mostram que não conseguimos ter uma multinacioal portuguesa; governo e grande empresa nacional convivem mal; por isso, é improvável que se forme um grupo português para tomar conta da TAP e, se se formar, será destruído em breve trecho;
  • Uma transportadora aérea nacional é indispensável para assegurar uma eventual repatriação de portugueses, se houver agitação grave na Venezuela ou na África do Sul; os nossos sempre requintados neoliberais dizem-nos para comprarmos bilherte na Ibéria, mas esquecem que o nosso governo de momento não goza do direito de requisitar os aviões na Ibéria em caso de emergência;
  • Não apareceu nenhum grupo sério interessado em comprar a TAP; tudo leva a supor que o governo venderá a TAP a quaisquer aventureiros, com algum capital inicial et pour cause, desde que lhe permitam realizar o seu sonho ideológico de privatizar a TAP;
  • Uma transportadora aérea nacional é necessária, ou indispensável, para o turismo português; o caso BES mostrou que, se as coisas correrem mal com a TAP privatizada, o governo dirá: «é um caso do setor privado, o governo não intervém». E o turismo afunda-se e nós mais nos afundameos com ele;
  • A comissão de Bruxelas proibia ajudas governamentais, o que impedia ou dificultava a renovação da frota da TAP; mas essa proibição foi revogada ao que parece– e por isso há condições jurídicas para evitar a privatização.

Como a TAP equilibra as contas, estas razões eram suficientes para adiar a privatização. O governo deu-nos um motivo suplementar para recusarmos a privatização, pelo menos de momento: no final da semana passada, anunciou que estava aberto a incluir no caderno de encargos as reivindicações dos sindicatos. Esta aceitação mostra várias tristes realidades: não há caderno de encargos, a privatização é um improviso e o governo aceita que os sindicatos representam o interesse nacional, desde que possa privatizar. Esta opaca escala de prioridades convida-nos a rejeitarmos a privatização, por ser desprovida de motivo. Quando o Governo se tornou o Sindicato da Privatização, devemos recusá-la por nefasta.

One response to “TAP: Quando o Governo vira Sindicato, é melor travar a Privatização

  1. João Chamiço

    O governo não “VIRA” gaita nenhuma. Vá ao dicionários ver o que significa virar em Portugal. Esse “VIRA” a que se refere só existe no Brasil. Aqui vira-se para a esquerda ou para a direita.