Ouça um dos Homens de Berlim que quer precipitar o Mundo na Depressão

ReglingDr. Klaus Regling, um dos berlinenses que quer a depressão mundial

O Dr. Vítor Bento, o economista que foi presidente do Multibanco, disse que os países do norte da Eurozona (os nossos credores) deviam desistir de ter saldos positivos de pagamentos externos para evitar a depressão económica na eurozona. A crise não é de finanças públicas mas de ajustamentos «assimétricos» na Eurozona, acrescentou Bento. Klaus Regling, Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), respondeu-lhe: «Sou menos crente na política macroeconómic». A cena foi ontem em sessão promovida pelo Diário Económico; acrescentou a mantra alemã:«as reformas estruturais são o essencial».

Neste jargão a palavra chave é crente. Crença opõe-se à razão e é opcional: Bento é crente, e por isso quer a política macro económica; Regling é um cientista e por isso dispensa a política macro económuica. Regling mente ou está de má fé. Não estamos no padrão ouro, é impossível não ter uma política macro económica. Hoje somos todos crentes numma política macro económica. O Sr. Regling é crente numa política macro económica paleolítica, que só recruta adeptos no norte da Europa. Regling defende uma política macro económica assente na paridade elevada do euro, aquela que a Alemanha impôs a Portugal como condição para entrar no sistema monetário europeu e que continua a considerar mais favorável para os seus interesses. E apresenta essa politica como se fosse natural, científica, inscrita nos astros. Regling acrescentou que a Alemanha tem mais sucesso que França devido às reformas estruturais que fez há quinze anos. Falso: a Alemanha tem mais sucesso do que a França porque impôs uma paridade do Euro que é desfavorável à França. Os Presidentes Sarkozy e Hollande não sabem mais de finanças do que o Dr. Passos Coelho e por isso engolem esta paridade e agradecem. Ou será que o Dr. Regling fala assim devido à arrogância do credor?

O Economista Português esclarece que a tese de Vítor Bento implica desvalorizar o euro. Por isso o Dr. Regling combate-a: como não convém à Alemanha, e recusa-a em nome de uma suposta razão universal.

As reformas estruturais resultaram na Alemanha do chanceler Schroeder porque a economia da Eurozona e a do mundo estavam em expansão e compravam produtos alemães. Mas a expansão hoje acabou e as reformas estruturais  causam desemprego ou exportam desemprego.

O Dr. Regling gabou-se de ter poupado dinheiro a Portugal pois o FEEF, por ele presidido e nosso mutuante, nos empresta a taxas inferiores à que o mercado, pois tem melhor rating e pede emprestado a prazos mais longos dio que a República de Portugal. Sem dúvida. Mas isso não o desculpa de querer sangrar a Eurozona e o Mundo.

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