Merkel adapta a Rigidez da Eurozona às Realidades partidárias

MerkelDeLençoIslâmicoFoto de Merkel, manipulada para a adornar com o lenço islâmico, numa recente manifestação em Dresden de Pegida, o movimento antimuçulmano.

Três fatores partidários fragilizam a Eurozona (o presente post não aborda as suas falhas económicas): a convicção que a austeridade é excessiva; reforço dos movimentos nacionais contra o federalismo assimétrico imposto pela Alemanha; a questão da imigração mediterrânica e, com ela articulada, a do modo de tratamento das minorias muçulmanas já presentes nos Estados-membros da União Europeia em geral e da Eurozona em particular.

Até agora a ortodoxia alemã tem negado estes três problemas: a austeridade é-nos imposta pela natureza, os movimentos contra o federalismo assimétrico  germânico são populistas ou de extrema direita, a imigração é um caso de polícia interna e de polícia de fronteiras. Estes ilogismos teriam que estalar. Nos últimos dias, a Alemanha começou um movimento de adaptação, para os manter:

  • Ontem, a Comissão de Bruxelas anunciou que adiaria as metas orçamentais dos 3% de défice para os países que apresentassem planos de «reforma» (a mantra berlinense) que obedeçam a três critérios: correção efetivas das fraquezas da economia; impacto mensurável sobre o crescimento e o equilíbrio a longo prazo das finanças públicas; serem efetivamente concretizados. Der Spiegel estava dentro da jogada pois logo ontem à noite informou que  Berlim «receava» este acréscimo de flexibilidade mas não disse que o rejeitava pois, acrescenta O Economista Português,  permite-lhes evitar a alternativa de ter que condenar a França ou desacreditar por completo a sua política de austeridade, ao mesmo tempo que dá boa disposição a uma Itália dia a dia mais inquieta (a medida será boa para Portugal, embora as eleições não facilitem as tais reformas);
  • Ontem a Srª Merkel e o Presidente alemão reuniram com os dirigentes muçulmanos na Alemanha e deram-lhes as boas vindas, condenando o movimento Pegida;
  • A semana passada, a Srª Merkel começou um movimento para a ilegalização dos movimentos ditos populistas, que se opõem à direção alemã da Eurozona e em certos casos à própria Eurozona ou mesmo à União Europeia. Vai nesta direção a sua presença na manifestação de domingo passado em Paris. O combate ao terrorismo fundamentalista islâmico talvez vá nesta direção, se aumentar as meidas restritivas das liberdades. Talvez o passado leninista da Srª Merkel a leve a promover a luta de massas contras os partidos populistas anti federalismo assimétrico.

A pequenez das atuais lideranças europeias sugere que não há nenhuma estratégia nova. Estamos perante um somatório de reações pontuais cuja única racionalidade é a vantagem eleitoral do «centrão federalista assimétrico» – embora sejam benvindas a atenuação das agruras do pacto de austteridade e a mão estendida aos muçulmanos europeus. Os erros do Euro não são corrigidos mas apenas atenuados -e como de costume para favorecer um país rico e grande. Aliás, só a primeira das medidas interessa o nosso país. Os problamas da imigração só serão resolvidos quando a Eurozona fizer uma aliança desenvolvimentista com os Estados mediterrânicos e africanos, que se comprometem a fiscalizar a emigração a troco da paz e do desenvolvimento sócio-económico. Mas a Eurozona prefere resolver o problema mediterrânico-africano à bomba e concentrar as suas escassas energias diplomáticas na… Ucrânia e no ataque à Rússia.

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