A Revalorização do Franco suíço assinala o começo das grandes Manobras

Variação horária do euro em francos suíços,a 15 de de janeiro de 2015

FrancosSuíçosNecessáriosParaComprrumEuro2015Jan15Em coluna, o valor em francos suíços para comprar um euro. O mercado esteve desnorteado várias horas. Fonte: Bloomberg.

A Suiça comprometera-se a manter o seu franco ligado ao euro enquanto era alto o câmbio deste.  Mas a recente baixa do euro estava a custar caro ao banco central helvético, que tinha que comprar euros para honrar o compromisso; por isso retirou o câmbio fixo e o franco revalorizou substancialmente.  Vejamos rapidamente o significado deste medida para o mundo, para a eurozona, para a Suíça e para Portugal

* Para o mundo, a medida sinaliza o começo de uma nova fase de instabilidade e quem sabe se de guerra cambial: baixa duradoura do euro?  divisão do euro entre o do sul, valendo cerca de um dólar, e o da zona marco alemão, valendo 1,60?

** Para a eurozona significa que é certo que o Banco Central Europeu (BCE) procederá a uma injeção de dinheiro superior à esperarada e que os custos cambiais serão maiores do que os esperados; a decisão helvética ocorre depois do parecer do procurador geral do Tribunal Europeu, que retira à Alemanha o aergumento jurídico da  falta de autorização legal para a compra da dívida. Confirma-se que a recente fuga ao Euro resulta da crescente probabilidade de emissão de euros para combater  a ameaça de uma nova grande depressão. Veremos como a Alemanha se aguenta na jogada; recebeu mal a medida helvética, mas ontem conservava a cabeça fria. Seja como for, a decisão do banco central helvético é um voto de desconfiança no câmbio alto do Euro e por isso a política alemã fica periclitante;

* Para a Suiça, significa um passo no seu reforço como centro de refúgio financeiro – o que custará caro ao banco central helvético que em breve terá que vender os seus francos para evitar uma paridade que destrua o relógio de cuco, isto é, a atividade económica helvética (turismo, relógios, chocolate); o Financial Times afirma que a medida coloca em risco a «credibilidade suíça», pois o banco central de zurique roeu a corda à primeira curva mais apertada,  – mas fala em nome do ideal federalista europeu e não dos investidores;

* Para Portugal é duplamente bom: abre caminho ao relançar económico e a uma paridade mais aceitável do euro. Veremos, porém, se esta paridade, que está nos limites do aceitável para Berlim, se mantém e estabiliza. Nada de menos certo. Aqui, a nossa política externa económica deveria ter uma palavra a dizer e procurar no seio da Eurozona alianças coerentes  em torno de uma paridade duradoura do euro num valor a fixar abaixo de 1,2 dólares por euro (Itália, França, Grécia, Irlanda).

 

 

 

 

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