Prova dos Profs: O Doutor Crato prejudica o Desenvolvimento económico português

AliceSentenceFirst«A sentença primeiro», vocifera à Alice o ministro Nuno Crato (à esquerda)  que no próximo Carnaval irá de Rainha do País das Maravilhas

O Ministro da Educação Doutor Nuno Crato continua a atirar a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) à cabeça dos professores com qualificação profissional para a docência, mas que não são do quadro. O Economista Português aplaude o princípio do mérito mas gostava de saber que mérito é medido por essa prova; para isso, extraiu de um diário lisboeta a pergunta que mais erros provocou e a apresentação que dela faz o IAVE, um organismo que parece apresentar-se como pedagógico. Leia a seguir sff.

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A resposta certa talvez esteja errada. Quem sabe? O Economista Português  gostaria de ver o algoritmo da resposta. Mas no caso o essencial é que quem tiver estudado cálculo das probabilidades (combinações e permutações) ou teoria dos conjuntos fica por certo em vantagem em relação a quem ignorar essas disciplinas. A prova estabelece a desigualdade entre os candidatos e não assenta num conjunto de saberes científicos de antemão definidos. Mas o IAVE apresenta-a como um saber neutro face às diferentes disciplinas universitárias, uma variante do saber universal ao qual aspirava o boticário Homais, que por isso seria neutro face a cada um dos candidatos e indiferente aos saberes constituídos. O que é inexato. Ontem na televisão, o Sr. Ministro saltou para a falácia oposta: comparou a PACC a um exame de condução; a razão oferecida para a comparação era hilariante: nem a PACC nem o exame de condução medem tudo. Pelos vistos, o Sr. Ministro conhece um exame que mede tudo sobre um dado assunto ou ausência de assunto. Contudo, entre a PACC e o exame de condução, há um abismo do ponto de vista da relação entre a compreensão da pergunta e a ação social: o exame de condução mostra se o examinado sabe conduzir dados veículos e, tendo nota, autoriza-o a conduzi-los. A resposta à pergunta colocada (e por hipótese às restantes perguntas primas e manas) não permite aferir de nenhum saber nem de nenhuma qualidade identificável. Tão pouco se sabe como um candidato se prepara para responder a tal pergunta.

A confusão sobre o conteúdo e função da prova em causa aumentou quando o  Sr. Ministro sempre televisivo assou a afirmar (sem provas, aliás) que os professores tinham dado na tal prova (que tinha outras perguntas, de outro tipo) erros de ortografia. Mas afinal era uma prova de ortografia? A invocação da ortografia aumenta o arbitrário da PACC. «A sentença primeiro, o veredito depois», sentenciou a Rainha. Mas estava no país das maravilhas e a Alice logo lhe respondeu: «lixo». O veredito é do júri e inclui a avaliação das provas, a passo que a sentença fixa a pena em função do que foi provado.

O Sr. Ministro confunde ganhar na lotaria e passar num exame. É um mau serviço prestado ao desenvolvimento económico – que necessita de distinguir entre a sorte e o conhecimento resultante do estudo, para desenvolver a administração de conhecimentos certos e premiar quem prova que os adquiriu. Isto é, mantém a confusão vigente em Portugal desde a Inquisição: saber não conta, o que conta é ter sorte, isto é ter amigos na Real Mesa. O Doutor Nuno Crato parece  mais eficaz a destruir os restos da instituição escolar do que a FENPROF.

IaveBrevementeDisponívelO  IAVE  parece ter interpretado mal o teste de matemática constante de O Jogo da Imitação, o filme sobre Alan Turing (a elucidativa imagem acima foi ontem retirada do site daquele organismo na web) Para aumentar, clique  na imagem sff

Que dirá o Doutor Crato se, daqui a uns anos, para averiguar se ele sabe o suficiente   para conservar o direito à sua reforma por inteiro, o Ministro da Educação mandar ministrar-lhe um teste sobre justiça e equidade em Roma apresentado pelo IAVE do futuro regime como destinado a «identificar sentimentos elementares de justiça e bom senso espalhados por todos os seres humanos»? Não se cuide, O Economista Português defendê-lo-á lendo a legenda do teto da sala dos brasões do palácio da vila: «por bem».

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