Causas da Crise política em Vigor: Estagnação da Economia e Corrupção do Estado

CasablancaClipperIngridBergmanNo Casablanca, Ingrid Bergman (à direita) imigra  para a América no último Clipper (ao fundo), depois de dar umas ternuras a Humphrey Bogart (ao meio), o qual sem esperança, fica  em plena crise económico-sentimental

Não escapou ao leitor que, depois da vitória do Syriza na Grécia e do recomeço da guerra na Ucrânia a nossa classe política começou por decretar o isolamento da Grécia e subitamente, como quem não quer a coisa, reviravolteou e está vagamente aterrada. Por exemplo: os candidatos a candidato do PSD a Presidente recolheram aos boxes em preparação para o estrondo de novembro; o Dr Costa, António foi ao Caia proferir desabafos de um fino europeísmo antieuropeísta; o governo, tendo dado por resolvido o nosso problema económico-financeiro, começou a disparatar sobre… a marijuana. Isto é: a  classe politica receia ser syrizada ou ainda pior.

O Dr. Rui Rio é um dos mais formosos espíritos administrativos que alinhou nesta melodia tremendista; sexta feira passada, lançando o seu livro em Coimbra,  afirmou que os partidos políticos «estão desacreditados» e que há «afastamento» entre os cidadãos e a política, que (saberá Deus porquê) qualificou de «mais grave» do que o afastamento das «pessoas em relação aos políticos».

Rui Rio não nos explicou o porquê daquele afastamento mais grave – e, ao contrário do que seria de recear, não puxou do amuleto da regionalização para nos prometer a cura dos males pátrios. O Economista Português atreve-se a sugerir um quadro clínico: os portugueses afastam-se da política porque julgam que ela traz e trará até 2035 corrupção e estagnação económicas.

Esta perceção vale o que vale mas como perceção parece quase indiscutível. O 25 de abril prometeu a riqueza individual  com uma limpeza moral de fazer corar o mais neutral dos suecos – e é o que se vê (ou não vê). A corrupção tornou-se o subtexto da ação governativa (contra a corrupção) e da comunicação social. Na economia,  esbracejamos para não sermos ultrapassados pela Turquia. Quanto tempo aguentará classe política o abismo crescente entre as promessas e as realidades? Num plano mais fundo, a classe política destruiu a esperança dos portugueses. Melhor: recomenda-lhes que tenham esperança de apanharem um lugarinho no Clipper para a América ou, já não havendo lugar, num Dakota para a Guiné Equatorial. Este diagnóstico será errado? Admitamos. Mas as jeremiadas sem diagnóstico nem posologia apenas agravarão a falta de esperança. Por isso, e até prova em contrário, a crise política portuguesa só será resolvida quando for resolvida a estagnação e a corrupção (ou, para sermos rigorosos, a perceção da corrupção).

CasablancaTheEnd

 

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