O nosso Governo deve preparar um Plano B para a Saída da Grécia da Eurozona

GréciaPlanodeErmergênciaBritânicoDo Financial Times de hoje

O governo de Londres começou ontem a preparar um plano de emergência para a hipótese de a Alemanha expulsar a Grécia da Eurozona . O Economista Português julga provável um acordo Berlim –Atenas mas mais desejável do que a probabilidade é a certeza: para termos a certeza, o nosso governo deve preparar um plano B para o caso de amanhã, na reunião do Eurogrupo, as propostas gregas serem rejeitadas e não surgir uma alternativa no conselho de ministros de sexta feira.
O plano B deve prever três situações de crise após a eventual saída da Grécia:
Portugal não é contagiado: resta esperar o futuro e melhorar as baterias de exame da conjuntura e de reação a ela;
Portugal é contagiado: devemos mobilizar antecipadamente o apoio dos nossos credores para nos apoiarem psicologica e financeiramente;
A Eurozona começa a desfazer-se e sente-se o estertor do Euro (é a previsão do Sr. Ministro das Finanças grego mas também do Sr. Alan Greenspan; este último julga inevitável o fim do euro exceto se houver união políica): nesse caso devemos preparar o novo escudo.EuroCriseO Economista Português sugere o seguinte plano básico para estabelecer uma moeda portuguesa devido ao suicídio do euro: a diferenciação entre o câmbio dos pagamentos correntes e o dos movimentos de capitais será básica. Os pagamentos correntes (balanças comercial e de serviços, doações) terão câmbio flutuante e liberdade de movimentos. Será preciso pré-constituir reservas de câmbio, para evitar maçadas de última hora.  O movimento de capitais não poderá ser livre; distingamos a liquidação de débitos constituídos ao abrigo do euro e os posteriores ao seu fim. Para os constituídos, os credores que quiserem ser pagos imediatamente e em divisa convertível serão reembolsados ao câmbio punitivo de 40 cêntimos do dólar dos Estados Unidos por um euro para operações devedoras; o Estado e as empresas pagarão aos seus credores financeiros da época euro em divisa não convertível (mas a não convertibilidade será por um período logo anunciado como limitado, embora se esclareça que só no futuro será anunciada a data da convertibilidade). As dívidas monetárias,  passado um curto período de transição, serão pagas normalmente. Os movimentos futuros de capitais privados serão de preferência contratualizados, numa fase transitória, tendo em vista o crescimento económico e a melhoria da nossa posição na divisão internacional do trabalho; o Estado apoiará as empresas, no caso da dívida privada. As condições da dívida pública variarão com cada emissão, devendo ser notado que haverá emissões em divisa convertível e em moeda não convertível. Aqueles câmbios e condições de liberdade de movimentos monetários e financeiros, no relativo à dívida pública, referem-se às obrigações jurídicas que subsistirem depois do fim do Euro: se a Alemanha tiver a feliz ideia de liquidar a Eurozona, levará à falência as instituições nossas credoras e ficamos sem ter a quem pagar a dívida pública. Esta hipótese parece de momento a menos provável e por isso O Economista Português apenas esboça um projeto de solução; mas convém irmos assentando um plano positivo para a hipótese de ser levantada a feira da Eurozona, pois parece provável (movimentos nacionalistas nos diferentes Estados da dita, clivagem crescente devedores-credores, crescentes pressões externas, destruição dos fundamentos morais da subsistência da Europa – devido às nossas políticas, anteontem morreram de frio no Mediterrâneo mais umas centenas de desgraçados cujo crime foi terem almejado vir para a Eurozona) que ela se torne mais provável.MoedasPortuguesasAntigasNa realidade, o governo português deve preparar dois planos B: além do plano acima esboçado, deve preparar outro contendo as propostas negociais portuguesas para o caso, que continua a ser o mais provável, de a Eurozona ceder às pretensões gregas de reestruturar a sua dívida (ceder parcialmente, claro, como em qualquer negociação).

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