Oposicionistas sobre a Grécia: Tão esquecidos de Portugal como o Dr. Passos Coelho

Carta dos 32Carta dos 32: Passos Coelho não leu mas é contra

Trinta e dois cidadãos publicitaram ontem uma carta ao Sr. Primeiro Ministro criticando-o com elevação espiritual e algum desprendimento prático por ignorar a «crise humanitária» na Grécia; referem «a situação difícil» da «Europa», defendem uma intervenção «robusta» para evitar a depressão (mas ignoram o Quantitive Easing já decidido pelo Sr. Draghi) e identificam o «interesse de Portugal » com «uma solução multilateral das dívidas europeias» e a recusa de um «discurso punitivo», preferindo-lhe «responsabilidade e solidariedade». O documento aparece na duvidosa continuidade de um outro, que propunha a reestruturação da nossa dívida pública.

O Economista Português nutre consideração pessoal e inteletual por diversos signatários deste documento e também por isso sente-se no dever de exteriorizar os seguntes comentários:

1ª Valorizando assim o Dr. Passos Coelho, ele ignoram que o nosso primeiro ministro reduziu o já reduzido peso de Portugal na Eurozona e tentam levar a opinião portuguesa a acreditar que alguém para lá do Caia leva à mínima as suas opiniões sobre o problema grego;

2º Dramatizando o problema grego, estas oposições revelam ignorar as questões da Eurozona tanto ou mais do que o governo: o problema grego está em vias de resolução, hoje começam as negociações ditas técnicas,apesar do Dr. Passos Coelho e os sábios situacionistas da nossa praça terem proibido Berlim de ceder a Atenas. Os 32 oposicionistas talvez ignorem a política da eurozona mais do que o governo porque este, sentindo a mudança dos ventos frios da «estrada dos carros de combate» (Heiner Müller), mandou a Drª Albuquerque a Berlim para receber lições atualizadas do explicador Schäuble e pela boca do seu Primeiro Ministro quer crescimento económico, orçamento federal e outras heresias neoliberais, até agora verberadas pela máquina de propaganda governamental (o que nos vamos todos rir nos próximos dias com as acrobacias dos turiferários do nosso governo!);

3º Singularizando o seu apoio específico apenas à Grécia, esquecendo Portugal, que defendem exclusivamente em termos de políticas gerais europeias (referidas aliás a trouxe mouxe e certamente sem meditação do artigo do Sr. Tony Blair no Financial Times de anteontem), por certo contra a vontade própria, os oposicionistas deste texto automarginalizam-se, como protagonistas de qualquer solução portuguesa, que necessariamente incluirá reivindicações próprias, pois nem Fernando Pessoa considerou que, antes do V Império, Portugal incarnasse a razão universal.

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O texto dos 32 está disponível em
http://cdn.negocios.xl.pt/files/2015-02/12-02-2015_10_04_43_Carta_ao_primeiro-ministro_de_Portugal_sobre_a_Gr%C3%A9cia.pdf

O  artigo do Sr. Tonu Blair está disponível em

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4396218&seccao=Convidados&page=-1

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