Bancarrota Grega: Portugal pagará pelo menos Sete mil milhões de euros

MariaLuísAlbuquerqueSchäuble2015fev18A fotografia acima custou-nos 2,5% do PIB. Melhor: custa-nos todos os anos 2,5% do PIB. Com efeito, pagamos 5% do PIB pela dívida externa e a Grécia paga 2,5%: como negoceia bem e é antipática para o Sr. Schäuble, não tem direito a foto com sorriso mas paga metade de nós (estimativas d’ O Economista Português, que não foram confirmadas nem desmentidas pelo governo nem pela oposição dinástica). A foto foi ontem tirada em Berlim.

Na escalada para o acordo com a Grécia, o Sr. Schäuble quis receber em Canossa a ministra das Finanças de Portugal para a mostrar como exemplo do êxito dos priogramas de austeridade tipo troika. O Economista Português fica a saber o que é o nosso êxito para o Sr. Schäuble – mas fica sem saber se a drª Maria Luís Albuquerque se comprometeu com Schäuble a não reivindicar para o nosso país os novos benefícios que a Grécia venha a receber. A pergunta é pertinente pois sabe-se de boa fonte que o receio da generalização destas reivindicações é um das causas invocadas pela Chancelarina Merkel para não negociar com os gregos.

Muitos pensam: a Alemanha aceitou no passado reestruturar a dívida grega porque tinha medo que a Grécia entrasse em «default» e deixasse de lhe pagar os juros;  emprestar dinheiro à Grécia para os gregos pagarem aos alemães – e não o fará agora por não ter esse receio, pois a Eurozona já se dotou de mecanismos de emergência financeira. O pressuposto está certo, a conclusão errada. Se a Grécia sair da Eurozona, entrará instantaneamente em bancarrota e cessará logo o pagamento das suas dívidas à dita Eurozona. Nenhum mecanismo da União Europeia se substituirá à falida Grécia. É esta a grande razão para a Berlim ceder às reivindicações gregas e consta do gráfico seguinte: a bancarrota helénica custará ao contribuinte alemão 80 mil milhões de marcos (e 63 mil milhões se recorrermos a outra chave de distribuição dos encargos, a da exposição à dívida pública grega em percentagem do PIB).

GréciaBancarrotaCusto2015O custo da eventual bancarrota grega inclui Target2, os ativos do Banco Central Europeu em dívida pública grega, empréstimos bilaterais e empréstimos do European Financial Stability Facility e o seu valor total foi estimado pela IESEG, uma escola de gestão em Lille, França (Fonte: http://www.telegraph.co.uk/finance/comment/ambroseevans_pritchard/11421500/ECB-risks-crippling-political-damage-if-Greece-forced-to-default.html ). A repartiçãonacional do eventual calote grego resulta da chave do capital dos diferentes bancos no BCE, excluindo o da Grécia.

Para os pagar os estragos alemães da bancarrota grega, a chancelarina Merkel teria que subverter a sua política financeira, aumentar os impostos (ou contrair impostos e aumentar o défice) e abrir brechas na organização política alemã. França, Itália e Espanha teriam que agravar a sua austeridade com muitos milhares de milhões. Aliás, o comissário geral bruxelino Juncker e o comissário particular Moscovici já começaram a enfraquecer a frente na aparência unida dos credores.

Outros pensam não haver razão para receio da bancarrota grega por os juros da dívida pública estarem estabilizados. Os juros da dívida estão estabilizados porque os mercados acreditam que a Alemanha cederá. Os juros dispararão (em particular contra nós) se não houver acordo sobre as condições gregas. A Grécia sairá do Euro, os credores em euros da Grécia perderão tudo, daqui a uns anos a Grécia, com Partenon e tudo, voltará à Eurozona.

Em caso de bancarrota grega, Portugal teria que pagar pelo menos uns 7,4 mil milhões, quase um vigésimo do PIB. Se recorrermos   à chave dívida pública grega em percentagem do PIB, a nossa conta subiria para 9,4 mil milhões de euros. Seja como for, é uma verba muito considerável e traduzir-se-ia no agravamento da austeridade. O governo  desprezam este risco e julgam exorcizá-lo recomerrendo ao mais extraordinário moralismo antigrego – dando uma forcinha aos alemães. A oposição ou defende mais a Grécia do que Portugal ou, no caso do Doutor Costa, não encontra nada de mais elegante, importante e urgente do que desferir ataques pessoais ao Doutor Poiares Maduro, o ministro dos Fundos Estruturais.

O Economista Português insiste: precisamos de um plano B., e só não insiste em que mudemos a nossa política com laivos de suicida pois a influência do governo na questão tende para zero.

5 responses to “Bancarrota Grega: Portugal pagará pelo menos Sete mil milhões de euros

  1. Um leitor deixou o seguinte comentário (que o servidor não permite a o Economista português mostrar:
    O gráfico apresentado no post é substancialmente diferente daquele que é incluído no artigo linkado. Explicação ?
    O Economista Português agradece e informa ter suposto que a legenda do gráfgico era elucidativa: o link remete para a fonte do valor total estimado para a banccarrota. To do o resto do gráfico é da responsabilidade d’O Economista Portuges, nos termos explicados na sua legenda.

  2. Considerando que a maioria da dívida grega é para com instituições europeias, não seria mesmo assim mais rentável a longo prazo perdoar a quase totalidade dessa dívida como prémio à Grécia pela sua renúncia ao euro? É que esse perdão equivaleria a uma enorme destruição de crédito e respectivos meios de pagamento: os gregos livravam-se da dívida e isso teria efeitos anti-inflacionistas como parece ser desejado pelos “firmes”. Ou estarei a ver mal a questão?

  3. O economista português faz uma análise muito habitual entre nós.

    De facto, ao analisar um investimento, o comum dos mortais, em Portugal, prefere olhar para o dinheiro já investido. Por exemplo, “investimos já 200 milhões no futuro aeroporto da Ota, por isso temos que avançar para não perder este dinheiro.” etc, etc.

    Um economista sabe que, a cada momento, importante, é o retorno do dinheiro que se investe, não do que já foi investido. Uma nuance que infelizmente faz todo o sentido.

    Assim, no caso da Grécia, uma análise econômica deve olhar para o futuro e não para os mais de 250 milhões de euros “investidos” desde 2010 ou os muito mais desde a entrada na CEE. E francamente, o futuro da Grécia não parece ser risonho com um Estado clientelar, oligarcas, mercados não competitivos e rígidos, uma população envelhecida, poucas empresas exportadoras, fuga generalizada aos impostos, etc, etc.

    Perder 7 mil milhões de euros, sempre pressupondo que as dívidas seriam totalmente irrecuperáveis, é perder, de facto, muito. Mas pelo menos não continuaríamos a “investir” naquilo que parece ser um buraco sem fim.
    Sobretudo quando os gregos, muito cientes das fragilidades internas, são os primeiros a retirarem o dinheiro do país. Afinal, os gregos até são bons economistas…

    • O Economista Português agradece o comentário. Mas permite-se reparar que não estava a apreciar um investimento em curso: estava a tebntar examinar os custos de uma faencia e, em termosm privados, saber se para o credor é melhor vendfer a massa falida ou se a empresa, reestruturada, tem condições de regeneração. A empresa é a Grécia. Ora os gregos propõem-se pagar uma parte do que devcem; obrigá-los a sair do euro, a última panaceia dos comentaristas economicos, é condenarmo-nos a nada receber. É cortar o braço porque está infetado, em vez de curar a infeção. Valeria mais que os governantes da Eurozona deixassem de ficcionar condições de sustebntatbilidade de dívidas públicas excessimaente grandes. SE o leitor acha pouco sete mil milhões de euros, O Economista Português permite-se-lhe pedir-lhes … uma pequena doação para fins culturais.

  4. O Economista Português agradece o comentário. É lógico e paradoxal. Contudo, como iriam os políticos vender essa solução ao contribuintes? Por outro lado, ficariam por resolver os créditos privados em euros sobre a Grécia.