Grexit: a Alemanha impõe Braço de Ferro

SpiegelOnline2015fev20GréciaSpiegel2015fev20A Grécia quer partir a Eurozona, titula hoje Der Spiegel – mas o principal destaque é sobre a derrota militar alemã na Ucrâniia.

A Grécia apresentou uma proposta a priori aceitável por Berlim  (menos austeridade a troco de reformas estruturais) e a Alemanha recusou instantaneamente discuti-la. A proposta helénica não foi portanto aprovada ontem. O Economista Português continua a supor que um acordo é o mais provável, mas por uma margem de probabilidade cada dia menor. Porque aumenta a probabilidade de erro tanto em Atenas como em Berlim:

> Os gregos têm conseguido isolar a Alemanha face à opinião pública mas Varoufakis tem violado demasiados tabus da finança europeia; por outro lado,  não diminuíram a falta de credibilidade das suas promessas entre os credores); nem parecem cônscios dos limites da sua ofensiva de charme; parecem enganar-se sobre a boa fé alemã; acertarão sobre a tática francesa e italiana?

KaiserEHitlerA Chancelarina Merkel estará a repetir o erro negocial  do Kaiser e de Hilter?

>> A chancelarina Merkel e a Alemanha estão a ser ridicularizadas  pelo Presidente Putin na Ucrânia, o que perturba o processo de tomada de decisão em Berlim, que está a enfrentar duas crises ao mesmo tempo, talvez três, se o Presidente Obama ameaçar realmente entregar  armas a Kiev. Ora três crises simultâneas são ingeríveis seja por quem for o que exponencia o potencial de um erro negocial de Berlim (se Obama enviar armas, aumenta a probabilidade de carros de combate «separatistas» se aproximarem de território alemão). Se pensarmos no jogo das galinhas, seremos autorizados a supor que a Chancelerina Merkel comete o mesmo erro negocial dos seus antecessores, o Kaiser Guilherme II, no desencadear da Primeira Guerra Mundial, e o Chanceler Adolf Hitler ao lançar a Segunda: como o Reino Unido recuou em 1914 e em 1939, pensaram que ele não combateria, por ser galinha («chicken», pouco corajoso). Enganaram-se. Ora a Grécia cedeu em fevereiro de 2015; como cedeu, a Srª Merkel assimila-a à galinha do jogo e recusa negociar com ela. Ora a cedência grega é suscetível de duas interpretações antagónicas.  Se Atenas recuou por ser realmente  «chicken» (isto é:  assinar uma «rendição abjeta»), Berlim não estará errada.Se cedeu para isolar a Alemanha, Berlim erra e por isso só negociará depois da saída de Atenas da Eurozona (ou de uma rotura de peso).

Hoje, a reunião de ministros da Eurozona cometerá ou não atos irreversíveis. The Guardian afirma que Berlim não quer negociações com a Grécia, quer «a rendição abjeta» de Atenas. Só hoje saberemos como votarão (e mais geralmente que posição tomarão) os principais Estados membros da Eurozona, a seguir à Alemanha: a França e a Itália consentirão que a Eurozona, ao contrário da União Europeia, deixe de ser governada por consenso e passe a ser governada por Diktat alemão?

Apesar da fuga de capitais, para a semana ainda haverá euros em moeda bancária, notas e moedas de Euro na Grécia – o que é a última fronteira  entre a possibilidade de negociação e a saída do Euro. Por isso, mesmo que não haja acordo na reunião de hoje, ainda faltam alguns dias para o começo do desmantelamento da Eurozona. É de assinalar que o Banco Central Europeu, ao sugerir que a Grécia adote o controle dos movimentos de capitais, que conserva a moeda Euro no seu circuito económico, do mesmo passo que poupa a sua facilidade de liquidez (a ELA), dá mais tempo para uma negociação.

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