Grécia: o Dr. Passos Coelho exemplifica como não nos defende dos nossos Credores

PassosCoelhoMerkelInLove«Fui bem, Madrinha?»

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou na quarta-feira que a troika «pecou contra a dignidade» de portugueses, gregos e irlandeses, e repetiu as críticas à troika.Pobre troika! Logo teve um patrono. Sexta feira passada, o Dr. Passos Coelho respondeu –lhe: «A dignidade dos portugueses nunca esteve em causa».  Nem gregos, nem irlandeses se obrigados a um desforço face ao Sr. Juncker. Porquê? Terão menos dignidade patriótica do que nós? Mais não têm, mas menos… Gregos e irlandeses perceberam que Juncker falava a favor deles contra os seus credores alemães e aliaram-se-lhe, fossem quais fossem as divergências de política interna que com ele tivessem.  O Dr. Coelho não percebeu, porque se identifica com os nossos credores. Com um mínimo de tato, o nosso primeiro ministro teria tido mil maneiras de reafirmar a nossa dignidade sem rejeitar u m apoio.

O chefe da diplomacia portuguesa, Dr. Rui Machete, ainda tentou salvar a honra do convento: a troika «dever-nos-à reparações». Era justo, mas era tarde para ter algum efeito prático. Terá o Sr. Primeiro Ministro pensado que ele desempanhava o papel patriotico do português de auém e de além-mar enquanto o seu ministro dos Negócios Estrangeiros tratava da intendência? Se pensou, foi mal aconselhado: infelizmente, na hierarquia governamental, o ministro dos Negócios Estrangeiros ainda fica abaixo do primeiro ministro.

Como o Dr. Passos Coelho ataca os nossos aliados e defende os interesses dos nossos credores, pagamos 5% do nosso PIB de juros da dívida e a Grécia paga 2,5% pelos juros da dívida dela. Assim, o leitor viu num exemplo prático como chegámos a este amoroso resultado. O Economista Português nem fala de não termos um governo com uma política externa mas um conjunto de opiniões contraditórias sobre estrangeiros emitidas por ministros em funções.

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