Sexta feira, a Drª Albuquerque já deu mais Dinheiro aos Gregos

MariaLuísAlbuquerqueESchäuble«Para quê coçar-me mais, vou seguir a sugestão do padrinho Schäuble »

Sexta feira à noite, os ministros da Eurozona subscreveram por unanimidade um comunicado de favor para a Grécia, a solução que O Economista Português considerava mais provável.

Quem se der ao trabalho de ler o comunicado do Eurogrupo de sexta feira passada, observará que, no meio de uma verborreia aparentemente antigrega para alemão ver, ele consagra um acordo transitório que, ao contrário da propaganda dos meios de comunicação social, nem é apenas transitório nem cria novas obrigações para os gregos  pois estabelece normas básicas orientadoras da solução definitiva: «as instituições [pseudónimo da troika] para o saldo primário relativo a 2015, tomarão em conta circunstâncias económicas de 2015». Isto é: os ministros devotados ao Sr. Schäuble admitiram o princípio de baixar o saldo primário grego para o ano em curso. Que o mesmo é dizer: de lhe perdoarem parte da dívida. A Drª Albuquerque fez uma entrada de durázia  e uma saída  querida para o Sr. Varoufakis, por sugestão do mestre Schäuble.

Quem se tiver dado à maçada de ler o memorando do Sr. Varoufakis, sabe que ele não reivindica um novo haircut (corte no valor nominal da dívida pública) mas sim uma diminuição do saldo primário de 4,5% do PIB para 1,5%. Ora a dívida pública só pode ser paga com o saldo primário, isto é, a diferença entre as receitas e as despesas do Estado, sem incluir o juro da dívida pública. Diminuir o saldo primário significa diminuir o pagamento da dívida pública, diminuição agora aceite pelos credores, sem criar na carneirada votante a desagradável sensação de vir a perder dinheiro daqui a trinta anos – ou mesmo dez, ou mesmo um. Aceite pelos credores: os ministros do Eurogrupo reuniram sexta feira para enganarem os eleitores alemães e o Dr. Passos Coelho, entre outros. O Economista Português adotou o suspense criado por Berlim a semana passada embora, deve confessá-lo, nunca tivesse acreditado nas ameaças alemãs.

Acontecerá o mesmo daqui a quatro meses? O Economista Português previu também que a Grécia conseguiria uma nova redução do seu esforço financeiro a favor dos credores. Conseguirá? Falta concretizar, passando aquela orientação a números. Para sabermos se o Eurogrupo procederá a um perdão substancial, mas sem dúvida escondido aos cidadãos, devemos ter em conta o conjunto do acordo futuro Eurozona-Grécia e em particular
• Saldo primário em percentagem do PIB atribuído à Grécia (o nosso é 3% e o Dr. Passos Coelho tem sempre jurado peela sua honra que, se não alcançar esse valor, é uma vergonha para todos nós, ele que pagar o máximo que os nossos credores aceitarem);
• Valor presente da dívida grega: a nova crise grega diminui drasticamente o valor presente da sua dívida e, por isso, reembolsá-lá é mais barao;
• Outras rubricas da balança de pagamentos externos grega.

Daqui a quatro meses, O Economista Português espera contabilizar as bondades que o Sr.Schäuble e o Dr. Passos Coelho darão aos gregos – e que o Dr. Passos Coelho recusará para nós, por sermos honrados e ricos.

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