A Receita da Troika continua a Aumentar a nossa Dívida Pública

DívidaPúnlicaEm%doPibPortugalFonte http://www.tradingeconomics.com/portugal/government-debt-to-gdp ; Nota: critérios do Eurostaat

O Banco de Portugal publicou ontem estatísticas da balança de pagamentos em 2014. A nossa dívida pública aumentou o ano passado. A dívida foi 128,7% do PIB (o governo prometera 127,2%) e continuou a aumentar (o governo prometera a sua diminuição), embora o ritmo de aumento tenha diminuído. O gráfico mostra a variação da dívida pública desde que estamos a ser curados com a receita da troika: aumentou mais de 50%, entre 2014 e o final de 2010. Finda a cura, o mal agravou-se (zona dentro do retângulo delimitado a negro, no gráfico acima). A troika transformou um problema difícil numa crise sem solução: empobreceu-nos e aumentou a dívida

OuroReservasALiçãodeSalazarSe tivéssemos vendido as reservas de ouro monetário quando o ouro estava caro, e com o produto dessa venda comprado a nossa dívida, quando ela estava barata, como O Economista Português recomendou, o problema estava resolvido: a nossa dívida seria hoje inferior a 50% do PIB (valor aproximado).

Mas esta solução não convinha aos nossos credores e por isso não foi aplicada: levaram-nos a respeitar a proibição de usarmos o nosso ouro monetário, sob o pretexto que estávamos numa união monetária (que não dava em crédito o que precisávamos para evitar a crise económica grave por que passamos). Por isso, a troika arranjou em Portugal um excelente negócio para os nossos credores: arrancam-nos couro e cabelo para nos obrigarem a pagar-lhes juros elevados com garantia alemã. E, a pedido da grande maioria dos nossos políticos, ainda temos que agradecer a solidariedade.

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2 responses to “A Receita da Troika continua a Aumentar a nossa Dívida Pública

  1. Vamos a factos.
    1º Alguns erros de cálculo estarão presentes no seu artigo. Estes saltam à vista sem preciso grande cálculos. No entanto, após fazer os cálculos vou apresentar a tese que contrapõe a sua, em termos, de ao vender-mos o nosso ouro poderiamos ter a nossa dívida pública a 50% do PIB aos dias de hoje. Em maio de 2011 quando pedímos o resgate, o ouro cotava a 1512,60 dólares (final mês de maio), sabendo que as reservas de ouro que possuimos são de 362,5 toneladas, facilmente calculamos que no fim de maio as nossas reservas valeriam 20.407.881.973,5 dólares. Convertendo isso, à mesma data, a 31 de maio 2011, obtemos 14.202.457.301,8 Euros. Por motivos de facilidade, calculemos agora em euros a nossa dívida pública no final de 2011. Sendo assim, 94%*PIB2011 em dólares*cotação eur/dolar = 0,94*228,94*0,7721 = 166,16 mil milhões Euros. Se tivessemos vendido o ouro em maio 2011, e supondo que o pib de 2011 e a dívida são iguas em maio de 2011 ou no final do ano ( é um pressuposto que não vai alterar em quase nada o nosso cálculo), ficariamos com uma dívida pública de 166,16 MM Eur. – 14,202 MM Eur. = 152,398 MM Eur. , ou seja, 86,21%. Haveria um decréscimo de 94% para 86,21%, apenas! No entanto a ideia não deixa de ser relevante. Agora passarmos de 94% para 50% ou menos nos dias de hoje parece-me totalmente irrealista. A ideia de vender o ouro em maio de 2011, não deixa de ser uma boa ideia, mas para isso precisariamos de ter ao apoio da entidade que governa o ouro a nível mundial ( penso que será uma espécie de comité que reúne os principais bancos centrais do mundo, se quiser posso pesquisar o nome ao certo e as entitades envolvidas, mas a ideia é a que expôs), o que poderia não ser fácil, visto que venda de uma quantidade tão grande de ouro iria fazer o preço deste diminuir. Por outro lado, precisariamos de ter o apoio da União Europeia e do BCE para poderem “baixar” os nossos juros da dívida pública, e esse apoio não seria líquido se não aceitassemos o empréstimo e as medidas da troika. Há um actor da vida política que muitas vezes aparece a dizer: “eu avisei, eu avisei”… Por fim, gostava apenas de dizer que estando os cálculos errados, a ideia poderia ter sido aplicada, claro caso os 2 pressupostos acima fossem aceites ( autorização de venda do ouro pelo organismo que o “tutela” e juros mais baixos para a dívida pública). Gostaria apenas de dizer que é com debate que a sociedade avança, e a sua intervenção foi positiva, pois contribui para o referido debate. Obrigado.

  2. O Economista Português agradece os factos e os comentários qualificados de factos, declara que obviamente não é para ele a carapuça do «Há um actor da vida política que muitas vezes aparece a dizer: “eu avisei, eu avisei”…» e remete para a resposta acima. Os aspetos institucionais da mobilização do ouro não são abordados pois a solução em causa já não é aconselhável, como laiás rressaltava do texto acima.