A Receita da Troika continua a aumentar a nossa Dívida Pública >>> Quanto teríamos ganho em trocar a Dívida pelas nossas Reservas de Ouro?

DívidaTrocaPorReservasdeOuroOntem, O Economista Português, lembrou que se tivéssemos trocado o ouro das reservas monetárias por dívida na altura certa, teríamos conseguido reduzir a dívida pública a metade do PIB, «valor aproximado». A tese foi defendida nuum post cujo título é igual ao do presente, até  ao sinal >>>. Um leitor escreveu afirmando que esta afirmação resultava de «erro de cálculo» e sugerindo que sem erro de cálculo, apenas diminuiríamos a dívida pública em 8% do PIB.
O Economista Português por certo não se explicou bem. Escreveu ele: devíamos ter amortizado a dívida «quando o ouro estava caro» e «quando ela [dívida] estava barata». O preço do ouro resulta dos mercados mas o embaratecimento da dívida terá sido menos claro: a dívida fica barata quando o seu yield (juro) sobe no mercado secundário. Estas duas variáveis estão estilizadas no gráfico acima, com índices que se aproximam da realidade. O gráfico inclui valores anuais e, de acordo com eles 2012 e 2013, teriam sido os anos ideais para essa operação, hoje desprovida de sentido – mas que amanhã talvez volte a ser possível, ou, se tudo correr menos bem, imperioso.
Sucede que, antes de proceder ao cálculo do valor do capital em dívida, O Economista Português desvalorizou-a tendo em conta a subida do  yield e estimou que ela valeria cerca de 86 milhões de euros, metade do seu valor nominal. Para efeitos de negociação com os credores, era uma estimativa generosa. A troco dos restantes 86 milhões Portugal entregaria as suas reservas de ouro – sendo a alternativa os devedores não receberem nada, dado que o país se aproximava da bancarrota. O leitor, que criticou a solução apresentada, pressupôs que a nossa dívida valeria o seu valor nominal e é dele que resultam as percentagens que dá para a nossa dívida em percentagem do PIB (outras pequenas divergências são secundárias e, no presente registo exemplificativo, irrelevantes). Teríamos que negociar, solução não cairia do céu aos trambolhões, os nossos credores defenderiam o valor nominal. Mas, se não defendermos os nossos interesses, quem os defenderá?

O cálculo, agora apresentado pelo leitor, já tinha sido publicitado, com resultados quase iguais, e está disponível no endereço seguinte. http://netcentro.pt/Conteudos/Artigos/detalhe.aspx?idc=1268&idl=1&idi=24341
Mas é um cálculo irrealista e sem base económico-financeira: se a nossa dívida valesse então o seu valor nominal, o seu yield aproximar-se-ia da unidade (hoje, pelo contrário, a nossa dívida, calculada de certo modo, vale acima do seu valor nominal). O cálculo da dívida pelo valor facial só foi então lícito por sermos monetariamente prisioneiros do euro – mas é ilícito porque o euro não era uma zona monetária que nos financiasse adequadamente.

2 responses to “A Receita da Troika continua a aumentar a nossa Dívida Pública >>> Quanto teríamos ganho em trocar a Dívida pelas nossas Reservas de Ouro?

  1. Admito que errei na diferença das yields e consequentemente alteração do valor nominal, o chamado <> em 2011. Estive quase a escrever um longo post, no entanto vi que algo estava errado no que estava a escrever e no que escreveu. O Sr. assume que por obra do espírito Santo uma entidade superior iria comprar a nossa dívida e oferecê-la ao Estado português de bandeja… Isto para transformar a dívida em valores nominais e passa-la-ia para metade. Desculpe isso não existe. Mesmo, que ao utilizar-mos os 14 mil milhões de euros em barras de ouro para comprar dívida, supondo de ela valeria metade do seu valor comprariamos 28 mil milhões, a valores nominais, por assim dizer. 166,115-28=138,15 que a dividir por o pib de 2011, 176,76 mil milhões de euros daria 78,15%! Ou seja, a nossa dívida desceria de 94% para 78,15%. Descida considerável, mas não uma descida 94% para 47%! A restante dívida só ter-se-ia materializado em ganhos, como referia à pouco, se alguém a comprasse nossa dívida e a oferece-se ao Estado, o que não aconteceu. Ou seja, não podemos contar que a dívida que como desceu em 2011, isso faria com diminuisse para o Estado. É que a dívida estava na mãos dos credores( que não se desfizeram dela) , que agora a vêm valorizar, como referiu. A dívida não estava nas mãos do Estado. E é aí que existe uma falha de interpretação. Obrigado.

  2. O Economista Português agradece o comentário e mais agradeceria se o seu autor tivesse lido o post que se propôs julgar, no qual estão respondidas as questões que coloca.