A «Chinesice» do Dr. A. Costa revela-o ao Natural: «fora da Receita da Troika não nos salvamos»

AntónioCostaEaÚltimaConcubina
Falando há dias num evento da comunidade chinesa em Portugak, o Dr. António Costa, secretário geral do PS, agradeceu-lhe ter acreditado que Portugal iria «enfrentar e vencer a crise» e porque «deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em está, bastante diferente daquela em que estava há quatro anos atrás».
Estas palavras originaram uma onda de choque. O PSD considerou-as um reconhecimento da obra do governo, o PS qualificou-as de episódio marginal, mas o Dr. Alfredo Barroso, um histórico daquele partido, desfiliou-se dele. Ontem, o Dr. António Costa teve que se desculpar, declarou-se «perplexo» com as reações e explicou-se: «fazer oposição ao governo» não o impede de «defender o país» e defender o país consiste em «valorizar os fatores positivos de Portugal», mas logo a seguir, já sem chineses por perto, repetiu a litania do fracasso: «o aumento brutal da pobreza, o desemprego, a estagnação económica, os cortes de pensões e de salários».
A justificação sugere que o programa de austeridade ganhou e perdeu ao mesmo tempo – o que desafia a lógica. Ou então é inspirada em Pirandelo, o genial dramaturgo siciliano: «para cada um, a sua verdade». Costa diz aos chineses que vencemos a crise e diz-nos a nós que não vencemos a crise. O que desafia a ética cívica.
O Economista Português não pretende, porém, analisar as dimensões políticas das declarações do novo responsável socialista – ainda que o toque pirandeliano cause a baixa na confiança que o Dr. A. Costa considera justamente indispensável. Mas considera-as um excelente revelador do pensamento estrutural, autêntico, substancial do líder socialista. Porque foram proferidas sem manha – ou melhor, foram proferidas com outra manha, a manha simplória de adular os chineses. Georges Lapassade, um sociólogo francês, falava em analisador: um acontecimento novo, um comportamento inesperado analisam a própria organizou social que os produziu; analisam contra a vontade dela. A «chinesice» do Dr. Costa é um analisador: para ele, «vencer a crise» ou os «fatores positivos» da nossa economia são a aplicação do programa da troika. É isso que lhe ocorre. Não sabe, e os seus conselheiros não lhe disseram, que  equilíbrio financeiro e confiança dos mercados não é sinónimo de austeridade; por isso,  falar-lhe em J. M. Keynes, nos orçamentos cíclicos, na gestão da procura agregada, no saldo primário, na estrutural instabilidade dos mercados financeiros, na intervenção no mercado, nos custos unitários salariais, etc é falar-lhe chinês. O Dr. A. Costa talvez gostasse de ter um outro pensamento económico mas, em tiro instintivo, o seu pensammento económico é o da troika; aliás, na justificação insistiu no erro que se propôs  corrigir: «vencer a crise» passou a «fatores positivos». Quem não pensa a economia, é pensado pela economia. E o Dr. A. Costa não pensa a economia.

As declarações iniciais do Dr. Costa sofrem de um outro vício: «agradecer à China todo o apoio que nos deu» os investimentos chineses em Portugal é tratá-los como se eles fossem um ato de caridade quando são uma aplicação económica. Ou terá o Dr. Costa pensado que a crise seria tão funda que voltaríamos às cavernas, substituindo a lâmpada elétrica pela tocha de pinheiro e levando assim a EDP chinesa à falência? Na base deste pensamento, o investimento chinês seria mais do que uma esmola, era um Gólgota para nos salvar. Mas nunca ninguém pensou  que esse regresso era uma probabilidade. O Economista Português aprova o princípio da liberdade do investimento  chinês na nossa economia, mas não desce ao ponto de o agradecer como uma esmola.

Para ver e ouvir as declarações citadas do do Dr. António Costa, clique abaixo

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