Emigração jovem: a Drª Albuquerque confunde direitos com deveres e esquece-se do balanço

Imigrante2012Falando sábado em Mirandela a Srª Ministra das Finanças declarou: «Se [os emigrantes jovens] quiserem fazer opções lá fora devem fazê-lo». Apesar de o português ser aproximativo, o leitor percebe que há duas críticas a apontar à frase anterior:

  • Ninguém nega o direito de os portugueses emigrarem; o problema é terem que emigrar constrangidos pela falta de empregos e pela falta de esperança no futuro, o resultado de uma uma política económico-financeira radicalmente errada; o problema é serem forçados a emigrar; ao falar em dever, a Srª Ministra reconhece subliminarmente que a maioria emigra porque a isso é obrigadar;
  • Qual o saldo económico para o nosso país da emigração de jovens qualificados? O mais provável é eles terem beneficiado de uma formação paga pelo contribuinte. O contribuinte financia essa formação no pressuposto que os financiados, com o seu trabalho, beneficiarão mais tarde a economia nacional e as finanças do Estado. Se emigram, este pressuposto cai: é certo que os nossos  jovens emigrantes qualificados serão vantajosos para os países de imigração e é incerto se beneficiarão o nosso. Estranhamente, este problema financeiro não interessa a Srª Ministra das Finanças, que declarou, glosando o velho tropo dos elogios estrangeiros ao imigrante português: é «um contributo para o país porque eles assumem orgulhosamente como são portugueses». A frase ficaria melhor na boca do Ministro da Justiça e Cultos. Da responsável pelas finanças, esperávamos que nos demonstrasse com contas na mão o modo como essa emigração alivia os nossos impostos e aumenta-nos o crescimento económico.

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