Economia portuguesa: «os Lusitanos não sabem governar-se»

LusitanoGuerreiroSábio lusitano executando uma hábil política financeira

O diário Público descobriu que o Dr. Pedro Passos Coelho, nosso primeiro ministro, devia dinheiro de contribuições à segurança social. O visado começou por declarar que ignorava essa obrigação, acrescentou depois que não pagou por a dívida estar prescrita, esclareceu mais tarde que julgava contribuição era opcional, e por fim pagou o capital (mas não os juros) para «acabar com qualquer dúvida». Ontem, justificando o pagamento, disse mais, repetindo a frase que usou quando foi preso o Licenciado em Engenharia José Sócrates,  que se considerava «diferente de outros políticos», declarou-se um cidadão honesto e atribuiu as notícias sobre a sua vida fiscal a «chicana política» explicável por o PS estar a perder pontos nas sondagens (citação de cor).

Não interessa ao caso se o Dr. Passos Coelho é diferente do Lic. Eng Sócrates, embora alguns lembrem que as suas justificações sobre o não pagamento levem a pensar nas de um determinado licemciado em engenharia sobre as condições em que obteve a sua licenciatura e nomeadamente a aprovação na cadeira de Inglês Comercial. Tão pouco interessa se é apenas «chicana» partidária a revelação que o Dr. Passos Coelho não paga as suas dívidas, embora alguns lembrem, que ele tem repetidamente justificado a austeridade política infligida a dez milhões de portugueses com a sua honestidade a pagar as suas dívidas quando afinal não as paga. O Economista Português não se pronuncia sobre estas aparências, pois entende que o leitor é maior e vacinado, capaz de julgar por si mesmo, e de assim formar a opinião sobre a honestidade do Dr. Passos Coelho que o próprio solicita.

A questão é outra: os ataques ao Dr. Passos Coelho e as respostas dele continuam a empurrar a política portuguesa para uma espiral de violência. O Economista Português não cura de saber se essa espiral começou com o estilo confrontacional do Lic. Eng Sócrates ou com o do Dr. Coelho o qual, ao alimentar hoje um duelo eleitoral com o preso de Évora, só a custo será acusado de intenções pacificadoras. Tentar responder a essa questão das origens é alimentar a tal espiral de violência que está a deixar de ser simbólica. Essa espiral terá consequências económicas poderosas: afastará investidores estrangeiros, que não querem correr o risco de serem por nós mimoseados com acusações desbocadas; pelos mesmos motivos, estimulará a emigração dos melhores e atrairá a imigração dos piores; a curto prazo ameaça tornar o nosso país ingovernável. «Os lusitanos não sabem governar-se nem deixam que os governem», terá dito Estrabão, um cientista social grego. Dois milénios depois, a frase continua verdadeira.

Em tempo. Estrabão era grego mas muito anterior ao Syriza. Seja qual for a sua opinião sobre os assuntos que dividem a política portuguesa, o principal dos quais é o dito Syriza, o leitor pode ler a frase citada e ficar de bem com a sua consciência.

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