António Costa em Entrevista: nenhuma Ideia económica boa e original

PawlaKuczynskiegoPalavrasDoPolíticoVãoParaASarjetaCaricatura de Pawła Kuczyński

O Dr. António Costa, secretário geral do PS, deu ontem uma entrevista à RTP 1. O Economista Português comentará apenas a sua dimensão económica, tal como a recolheu do Diário de Notícias.

O Dr. António Costa adere à tese do Dr. Passos Coelho sobre  as relações entre a Grécia depois da vitória do Syriza e  a União Europeia: este governo «apostou tudo na questão da dívida e agora o seu governo ‘vive num bloqueio entre o que prometeu e o que pode fazer’».  Nada de menos certo (embora revele que o Dr. Costa anda a meditar no que pode prometer).

O secretário geral do PS não devia comprometer-se, revelando em público que usa a propaganda contra o Syriza como instrumento operacional de formulação de políticas: a Grécia não «apostou na dívida», apostou sim em aumentar o seu saldo financeiro líquido com a UE. Temos que esperar para ver se o novo governo de Atenas consegue ou não da UE melhores condições financeiras, sejam em sede de dívida, sejam noutra sede.

O Dr. António Costa declara-se cntra o austeritarismo da UE mas não propõe uma nova tática nossa face à UE; diz que «a mudança política em Portugal ajudará a mudar o xadrez na Europa» o que parece sugerir que o combate ao austeritarismo passa pela vitória socialista na UE. A ser assim, não está para amanhã: o PS francês receia (publicamente) a vitório do xenófobo Front National nas proximas eleições departamentais e, nas sondagens, anda pelos 20% dos votos.

Ao contrário do que tem sido seu hábito, o Dr. Costa proferiu várias promessas de natureza económica. Nenhuma contém a menor novidade. Ei-las, seguidas de comentários telegráficos:

  • Reposição integral dos salários da função pública e das pensões > muito bem; para quando?
  • Aumento do salário mínimo > mal, cria desemprego e diminui a competitividade das exportações; aliás o Estado não deve imiscuir-se nas relações laborais no que toca à determinação do salário;
  • Um programa de integração no mercado laboral de jovens qualificados > parece-se muito com o que o atual governo anda a executar (pagar um subsídio de desemprego disfarçado de salário de estágios progissionais);
  • Um programa nacional de reabilitação urbana que ressuscite o setor da construção civil > é um tema calisto dos programas eleitorais do PS e continua a ser duvidoso que, sejam quais forem os méritos de tal programa, consiga a prometida ressurreição;
  • Baixar para 13% o IVA da restauração > é um tema do passado;
  • «Ajustar o défice à necessidade de investimento» > esta promessa é incompreensível.

Na sua dimensão economica, foi uma entrevista para marcar presença. O Dr. Passos Coelho está em condições de cobrir todas aquelas promessas. Algumas delas, já ele próprio as avançou. O Dr. António Costa promete revelar o programa do seu partido a 6 de junho e então O Economista Português e o leitor verão se tem uma ideia para acabar com a austeridade – e se tem ideias novas e boas.

 

 

 

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