Alargar as Incompatibilidades dos políticos reforça a Corrupção

FaustoDeGoetheA lei prepara-se para reforçar os poderes de Mefistófeles (à direita) sobre Fausto (ao centro) olha para Margarida (esquerda alta), que representa o eleitorado feminino

O PSD e o CDS viabilizaram ontem uma proposta do PS para alargar as incompatibilidades dos políticos. O objetivo é combater preventivamente a corrupção – e, presume-se, animar a caça aos gambozinos. O Economista Português não debaterá o mérito de cada uma das medidas propostas mas combaterá a tese geral que lhes subjaz: alargar as incompatibilidades é separar os políticos mais e mais das empresas e da vida profissional; esta separação da «sociedade civil», como Hegel lhe chamava, reforça o poder que sobre eles têm as direções dos partidos. Basta que as direções partidárias não combatam a corrupção dos seus membros, para que ela saia assim reforçada. Porque a lei proposta aumentará a procura de corrupção por parte dos políticos : a futura lei diminuir-lhes-á os rendimentos lícitos mas não os tornará poupados. Os políticos terão que ir pedir um complemento de verba a quem se tornou o seu chefe total: a oligarquia do seu partido. Aquele alargamento só combateria a corrupção se do mesmo passo fosse limitado o poder das burocracias partidárias. O que não acontecerá.
Sabemos, desde Max Weber, que a classe política não incarna a razão universal, pois têm interesses próprios a defender. Se aquela medida for aprovada, terá o efeito à primeira vista paradoxal de reforçar a corrupção, por meio de testas de ferro, contas no estrangeiro e intermediários variados, tudo sob a tutela apagada das oligarquias partidárias

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