Obrigado, Fernando Ulrich! Colocou o Estado na Berlinda da Crise da Banca

FernandoUlrichInquéritoBes2015mar17Fernando Ulrich ontem, na comissão de inquérito ao BES (à direita, o presidente da dita comissão, Dr. Fernando Negrão)

Fernando Ulrich, banqueiro e insuspeito da menor complacência para com o Dr. Ricardo Salgado, teve ontem na comissão de Inquérito ao caso BES uma intervenção corajosa e inteligente:

> Desmentiu o Doutor Vítor Gaspar, informando-nos que o alertou atempadamente para a difícil situação do BES;

> > Disse não acreditar que a aplicação da «resolução» ao BES tenha sido decisão exclusiva do BdP sem nenhuma intervenção do governo;

>>> Acusou a CMVM e o BdP de terem agido tarde e mal;

>>>> Estranhou que o Banco Central Europeu trate os bancos gregos nas palminhas e tenha reagido ao BES com uma violência inadita.

Fernando Ulrich revelou uma vez mais desassombro, lucidez – e memória, pois foi dos raros depoentes naquela Comissão que não se «bavou» todo (sobre o neologismo «bavar-se» queira o leitor ver abaixo Humor financeiro português). O Economista Português supõe que Ulrich compreendeu que, sejam quais forem as responsabilidades empresariais do Dr. Ricardo Salgado, a campanha búlgara contra ele  movida atinge toda a banca e indiretamente toda a economia portuguesa. Evidência que não parece ao alcance da maioria dos banqueiros e bancários portugueses. V. I. Lenine, o dirigente comunista russo, escreveu, para justificar a chamada Nova Política Económica (NEP, no acróstico inglês), que compraria ao penúltimo capitalista a corda com que enforcaria o último. O ex-DDT é evidentemente o penúltimo banqueiro português.

O Dr. Passos Coelho fica assim na berlinda: será que não falava da banca com o Doutor Gaspar? Será que não falava de finanças com o seu ministro Portas que, como abaixo veremos, também sabia algo alarmante sobre o BES? Por isso aquelas declarações atingiram o Governo: sabemo-lo de dois modos. O primeiro é a máquina de intoxicação governamental: começou logo a funcionar, pracejando nos jornais notícias do tipo das seguintes:

BesPropagandaGovernamental2015mar18DN

A  notícia seguinte, valorizada com linda foto em fundo verde, é do Jornal de Negócios.

BesPropagandaGovernamental2013mar18JNegócios

Gestão ruinosa? Ah, que surpresa!!! Foi um erro nesta fase do campeonato atacar de novo o Dr. Ricardo Salgado, para mais com acusações gastas : o ataque apenas sublinhava a incapacidade do Governo e anexos (BdP, CMVM). Sabemos também que o governo se sentiu atingido por um segundo canal: o ministro Paulo Portas  ao qual coube desferir um lamentável ataque pessoal a Ulrich; sem atacar Ulrich, o governo dificilmente sobreviveria.   P. Portas acusou-o de estar a defender os interesses do BPI, que seria prejudicado se o NovoBanco fosse vendido abaixo de 4,9 mil milhões, mas esquecendo-se de dizer que esses prejuízos foram impostos à banca por uma medida absurda do governo Coelho e que foi o governo quem fixou aquela verba, abaixo da qual Ulrich se sentiria prejudicado. Ou seja: P. Portas acusou Ulrich de ter acreditado nele, P. Portas.  A seguir, para tentar recuperar alguma credibilidade. P. Portas teve que acusar a supervisão bancária e bolsista, declarou que que nunca se responsabilizara pelo BES por suspeitar do que aconteceu mais tarde, defendendo embora a restante ortodoxia governamental – começando por (como titulou um jornal) «queimar» Carlos Costa e «’queimou-o’» por saber que dentro de poucos meses ele termina o seu mandato, recolherá à boa paz ao PSD, e é por isso – em plano mesmo assim secundário quando comparado com o do Dr. Ricardo Salgado – o bode expiatório ideal para manter o statu quo de confusão político-administrativa indispensável ao arbítrio financeiro governamental.  Depois virá Carlos Costa/2 o qual por sua vez….

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