Draghi: Zona Euro não é uma União política «em que alguns países pagam permanentemente pelos outros» >>> Então preparemo-nos para sair

 TomSawyerTom Sawyer, em primeiro plano; é o moço rico do Mississipi que o Sr. Draghi acusa de roubar os pobretanas de Wall Street

Ontem, inaugurando o que o futuro apresentará como um novo elefante branco (a nova sede do Banco Central Europeu para dois mil e novecentos funcionários), numa piada fina, o Sr. Draghi acusou o milionário Tom Sawyer, aborígene do Mississipi, estado dos mais pobres dos Estados Unidos, de espoliar Wall Street e sugeriu o fim dos subsídios federais que os maganões mississipianos extorquem a Washington há uns 150 anos (as palavras são as citadas no título).

Yankees egoístas! Ora, por um conjunto de razões entre as quais avultam as regras da chamada União Europeia, só daqui a 50 anos teremos oportunidade de subsidiar a Alemanha, a Holanda, etc («the usual suspects», para usarmos a terminologia imorredoira do 5º evangelho, o   Casablanca). Cá pela generosa Europa, pátria do Holocausto e do Estado Social, é ao contrário: são os Mississipis de cá que subsidiam as Wall Streets europeias. Viva a solidariedade do velho continente, sempre jovem em intox.

O Economista Portuuguês permite-se uma anotação ao seu título acima: preparemo-nos para sair se o Sr. Draghi não estiver a enganar os súbditos da Srª Merkel.

O leitor perguntar-se-á: não devíamos antes reivindicar a tal união política e depois seríamos regiamente pagos, como o moço do Mississipi?  Só se os credores se comprometerem juridicamente e em termos irrevogáveis a não mudar as regras a meio do jogo: a Srª Merkel fez um acordo tácito com o Engº Sócrates para o deixar endividar-se à tripa forra e, quando o Dr. Passos Coelho o derrubou em S. Bento, mudou as regras e pôs-nos a pão e água, para nos castigar dos negócios que ela tinha promovido e que tanta alegria lhe davam. À primeira qualquer cai, à segunda cai quem quer.

Na inauguração do próximo futuro elefante branco, foram detidos mais de quinhentos manifestantes, nenhum dos quais jiahadista. A seguir: instantâneo da elaboração do primeiro modelo econométrico da economia portuguesa, na sala de estudos ontem inaugurada em Frankfurt.BCE2'14mar19inauguraçãoDaNovaSede

 

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