O Dr Passos Coelho acredita na Propaganda grega & Empobrecemos para o Estado enriquecer

PassosCoelhoDeòculosLeu muito e acreditou na propaganda grega

O Dr. Passos Coelho disse ontem que Portugal estaria como a Grécia, onde se fala em crise humanitária, se não fosse a sua política e, para cobrir a extraordinária frase da Drª Maria Luís Albuquerque gabando-se de ter os «cofres cheios», afirmou que «cofres vazios» do Estado tiveram por consequência desemprego e sacrifícios.
A frase para nos assustar com a grega miséria sugere que o Sr. Primeiro Ministro acredita na propaganda helénica e nem reparou ter começado a escalada para a próxima ronda de negociações daquele país com a Srª Merkel: será que lhe escapa que Atenas continua um centro de contabilidade criativa? Terá ele visto alguma prova secreta da existência da tal crise social grega? A Grécia defende os seus interesses com pode, e julga que os defende promovendo o marketing exterior de uma crise social inexistente ou de gravidade comparável à nossa – ao passo que o Dr. Coelho julga defender-nos sugerindo por esse mundo de Cristo que… ele nos enriqueceu.
A Srª Ministra das Finanças foi mais explícita: o Estado está rico. Devíamos pedir-lhe para nos dizer toda a verdade: no atual condicionalismo da União Europeia e da economia portuguesa, para o Estado se aproximar do equilíbrio financeiro (e portanto ter condições para enriquecer), tem que  aumentar os impostos, diiminuir os vencimentos dos funcionários públicos e reformados, a fim de conseguir um saldo primário das contas públicas; como não consegue um crescimento económico significativo e sustentável, e saldo dependerá da continuação dos nossos sacrifícios, com eventuais atenuações quando o PIB crescer:  para o Estado enriquecer, temos nós que empobrecer, durante muitos anos.

2 responses to “O Dr Passos Coelho acredita na Propaganda grega & Empobrecemos para o Estado enriquecer

  1. Frango Sinatra

    Meu caro, eu costumo lê-lo e apesar de as suas visões serem um pouco diferentes das minhas normalmente tendo ou a concordar consigo ou a apreciar o seu ângulo. Agora incomoda-me o seu estado de negação em relação ao que se passa na Grécia. Eu estive na Grécia recentemente e posso lhe garantir que há uma crise humanitária. Não é Marketing, é miséria humana mesmo. Crianças como fome por todo o lado e velhos abandonados à indigência a dirmir pela rua – a isso há que somar o mar de refugiados vindos do médio oriente, nomeadamente da Siria. Cá também temos uma crise humanitária em menor escala mas já nada nos parece incomodar… Sugiro-lhe que passe ali no túnel do Marquês à 1 da manhã de um dia de semana, e olhe para os cantos. Sim são PORTUGUESES às centenas a dormir pelo chão, abandonados. A escala dos danos colaterais causados por uma política ERRADA não podem ser considerados Marketing sob pena de regressarmos à barbárie.

  2. O Economista Português agradece o comentario e declara-se honrado por ter leitores que dele discordam. O «estado de negação» refere-se à existência de uma gravíssima crise social na Grécia. O Economista Português não a negou: escreveu que ela era objet6o de marketing e que portanto existia; mais escreveu que era semelhante à portuguesa. O testemunho do nosso correspondente parece coincidir com a tese defendida.