Grécia na Eurozona: Caso Lufthansa2?

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De acordo com o script anunciado inicialmente, aumentam as paradas no bluff sobre a Grécia e o Euro: Atenas, esmera-se nos estudos e quer reduzir muito o seu saldo primário, Berlim diz que as contas têm que dar certo, Tsipras recusa a rendição, etc. Fala-se já em teleconferência de emergência da Eurozona para que a Grécia não cesse pagamento. Tudo como previsto.

E se se enganam? Se Atenas ou Berlim se enganam e faltam as notas de euro na sombra do Partenon? Quem viu e ouviu o representante da Lufthansa na primeira conferência de imprensa após a revelação da caixa negra da cabine do seu avião que acertou nos Alpes franceses, sabe que a companhia aérea alemã considera que fez tudo bem. O dito representante indignou-se mesmo quando um jornalista de um media dos Estados Unidos lhe perguntou se tinham entrevistado familiares do piloto: «ninguém faz isso», retorquiu emocionado e severo perante o desaforo do yankee. A Lufthansa afirmou que os seus procedimentos eram bons e a realidade não estava à altura deles.

O caso lembra um fait divers ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial. O Exército português mandou uma Missão de Observação Militar à Frente Leste, quando a Alemanha estava a ganhar e a produzir o seu mais moderno material bélico e as melhores táticas. Uma das novidades era uma gigantesca tenda que era um hospital de campanha avançado. Os oficiais portugueses foram convocados para uma muito badalada operação a realizar num enorme teatro operatório instalado na tal tenda; foi realizada por um general-médico alemão; a intervenção cirúrgica começou; a dado momento, o paciente esticou o pernil. O movimento de gamba não permitiu a sombra de uma dúvida: morrera. Os elementos da Missão ficaram consternados com o fiasco; pouco conhecedores da psicologia alemã, sentiram-se constrangidos perante a próxima justificação da transformação em derrota da anunciada vitória da medicina militar teutónica. Na conferência a seguir à operação, o general-médico disse: «a operação foi um êxito, o paciente não esteve à altura».Wehrmacht 1941, Lufthansa 2015: a mesma atitude.

«A operação foi um êxito, o paciente não esteve à altura» serão por certo as palavras da chancelarina Merkel se a Grécia for alijada – por engano. A probabilidade é reduzida, mas é necessário tê-la em conta.

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