Ajuda ao Desenvolvimento: os Pobres perdem em 2014

AjudaAoDesenvolvimentoOCDE2015O ano passado foi interrompida a tendência ascensional da ajuda pública ao desenvolvimento (Fonte: OCDE)

Em 2014, a ajuda pública ao desenvolvimento estagnou , mas os países mais pobres perderam dinheiro, revelam os dados do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD) da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), ontem divulgados.
Portugal voltou a diminuir a sua ajuda pública ao desenvolvimento: foi 387 milhões de euros em 2014 e 451 milhões em 2013. Dada a nossa crise económica, financeira e social, o corte não surpreende.
Somos maus cidadãos do mundo por diminuirmos a ajuda pública ao desenvolvimento?
Em proporção do PIB, estamos no mesmo escalão dos Estados Unidos e do Japão, acima da Espanha, da Itália e da Coreia. Pagamos 0, 19% do GNI. A OCDE recomenda uma ajuda de 0,75% do GNI mas apenas quatro países alcançam esta meta: Dinamarca, Noruega, Luxemburgo e Suécia.
O GNI é a sigla inglesa de Gross National Income, o Rendimento Nacional Bruto: é o PIB mais os rendimentos recebidos do estrangeiro menos os rendimentos pagos ao estrangeiro.
A ajuda ao desenvolvimento ajudará os países pobres a saírem da pobreza? O facto de os mais pobres terem perdido peso nas doações sugere que a ajuda não ajuda os mais necessitados. Há quem defenda que a ajuda é prejudicial ao desenvolvimento. É tradicional a recusa da ajuda ao desenvolvimento pelo argumento liberal, só o mercado permite enriquecer, a esmola mantém a miséria; mas há outros argumentos não liberais: Angus Deaton, professor na Universidade de Princeton e consultor do Banco Mundial, num livro recente e com fama de muito documentado,sustenta que a ajuda «em geral «serve interesses comerciais do país que ajuda e compra aliados políticos no estrangeiro, muitas vezes aliados nojentos». Deaton qualifica a ajuda de antidemocrática, pois dispensa os governos ajudados de obterem o consentimento dos seus cidadãos. Num livro recente, Deaton sugere que os países ricos, se querem ajudar, invistam numa vacina contra a malária que continua a matar milhões de pobres, pressionem as empresas farmacêuticas para venderem mais barato nos países pobres, abram os seus mercados às exportações dos países pobres e autorizem mais imigrantes deles oriundos.

Os dados do CAD da OCDE:
http://www.oecd.org/dac/stats/development-aid-stable-in-2014-but-flows-to-poorest-countries-still-falling.htm
Uma recensão ao livro de Angus Deane
http://www.nytimes.com/2013/10/13/business/a-surprising-case-against-foreign-aid.html?_r=0

Os comentários estão fechados.