Continuamos um País Sem Competências Profissionais

SkillsPortugalOcdePisa2015abrilEm matéria de matemática e de português, os nossos estudantes continuam abaixo da média da OCDE

No começo do corrente mês, foi divulgado o relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) contendo o diagnóstico do nosso sistema de «competências» profissionalizantes (skills, no jargão da OCDE). O gráfico cima sobre o nosso desempenho no PISA é por si só indiciador da nossa preocupante situação naquele capítulo.
O nosso atraso na formação ressalta logo dos «desafios» a seguir elencados (em  itálico seguem comentários d’ O Economista Português):
Para desenvolver as competências
. Melhorar a equidade e qualidade na educação [equidade? ainda há dias o nosso sistema foi declarado equitativo por um responsável; qualidade do ensino? algum responsável fala disso entre nós?]
. Melhorar a resposta do ensino técnico e vocacional às necessidades do mercado;
. Definir metas para a educação de adultos e aprendizagem ao longo da vida para os não-competentes
Para ativar a oferta de competências
. Reduzir o desemprego juvenil e os NEET (sem emprego, sem ensino, sem estágios) [e já agora os que desistiram de procurar emprego]
. Aumentar o regresso ao mercado dos desempregados de longa duração
. Reduzir as barreiras ao emprego
Para um emprego mais efetivo das competências
. Promover o espírito empresarial
. Promover a inovação e criar empregos de alta competência
. Fornecer incentivos aos empregadores para desenvolverem competências, especialmente nas PME  [os empresários são os grandes esquecidos dests «desafios» que, sem eles, não irão longe]
Para melhorar a administração do sistema de competências
. Financiar um sistema de competências mais eficaz e com mais equidade [volta a questão da qualidade, com o nome de eficácia, e renasce a da equidade]
. Ajustar os poderes de decisão para enfrentar as necessidades locais
. Desenvolver capacidade e parcerias para uma política de competências baseada em provas [esta frase sugere que a política de competências se tem baseado em fantasias e não em provas].

Por isso, quando no período de caça aos gambuzinos  o leitor ler que desenvolveremos a nossa economia graças ao nosso ensino e à nossa alta formação, talvez não seja má ideia perguntar como desenvolveremos as nossas competências profissionais ou profissionalizantes (skills): antes, depois ou durante o prometido desenvolvimento económico?

Outros links sobre o tema:
http://oecdeducationtoday.blogspot.fr/2015/04/skills-will-drive-inclusive-economic.html
OECD Skills Strategy Diagnostic Report: Portugal
OECDSkills Strategy
Survey of Adult Skills
country page on skills for Portugal

2 responses to “Continuamos um País Sem Competências Profissionais

  1. Manuel Silva

    Caro Economista:
    Seria bom apresentar-nos também o gráfico com as respectivas barras nestes três desempenhos três gráficos (skills) desde que nós entrámos neste sistema de comparação até 2012 (último ano analisado).
    (Uso o termo desempenhos porque competências não só deixou de estar na moda como é alvo de tiro de chumbo para caça grossa, embora a palavra ainda não tenha sido retirada do dicionário pelo novo AO.
    Só assim saberíamos o custo per capita do progresso realizado (se tiver havido progresso).
    E seria bom também que desambiguasse a sua frase final: «quando … leitor ler que desenvolveremos a nossa economia graças ao nosso ensino e à nossa alta formação, talvez não seja má ideia perguntar como desenvolveremos as nossas competências profissionais ou profissionalizantes (skills): antes, depois ou durante o prometido desenvolvimento económico?», não tanto à frase em si, mas ao que se quer dizer com ele, para além dela: que pode ser, será preferível desenvolver a nossa economia sem o recurso ao ensino e à nossa formação?

  2. O Economista Português agradece o comentário. O seu primeiro parágrafo convida-o a escrever outro post: em termos dinâmicos, aproximámo-nos da UE em termos de «skills» e, se sim, quanto gastámos? A questão é interessante mas o objetivo do post comentado era outro: era apenas demonstrar que estamos longe da média da UE em termos de competências profissionalizantes. Este ponto parece importante porque os nossos políticos têm apontado os nossos «skils» como o caminho do desenvolvimento económico quando eles são uma grande problema económico muito longe de ter uma resolução satisfatória. É este o sentido das últimas frases do post: evitar que voltemos a iludir-nos com palavras palavrantes, que não chamemos remédio à doença que nos foquemos nos nossos problemas reais.
    A questão da exata tradução pareceu no caso irrelevante,por ser claro o referente: «competências» será bota de elástico mas indica bem aquilo de que estamos a tratar.