O Orçamento dos Gambuzinos (2016): Os Reformados pagam, o Setor energético recebe

RefinariaSinesO setor energético é um dos beneficiários do orçamento para 2016

O Governo reuniu ontem em conselho de ministros pré-orçamento para  o ano eleitoral. A ministra das Finanças confirmou o que já era conhecido: a austeridade mantém-se mas será aliviada em fatias de cerca 20% anuais para os vencimentos superiores a 1500 euros auferidos pelos funcionários públicos e para a sobretaxa do IRS. O ritmo será mais rápido para a supressão da contribuição extraordinária de solidariedade, que incide sobre as pensões superiores a 1500 euros mensais. Ao mesmo tempo é anunciado que o Governo pretende cortar 600 millhões de euros nas pensões e 400 milhões com a reforma do Estado, ao todo mil milhões de euros (pelo menos). Outra má notícia: a Taxa Social Única (TSU), que tanta tinta fez correr, não será aliviada e não são anunciados diferentes estímulos fiscais ao crescimento económico. A contribuição extraordinária sobre o setor energético, que a GALP recusa pagar, é eliminada em dois anos. Parece que o governo se propõe alcançar finalmente o equilíbrio orçamental, o que, a ser cumprido, talvez implique cortes adicionais.
O Governo anuncia que a nossa economia retomou o crescimento e volta a cortar no rendimento dos pensionistas e apenas no deles? Há algo que não bate certo: propaganda e realidade continuam a não se compaginar. Que em ano eleitoral o Governo castigue os pensionistas e ceda às ameaças das petrolíferas (a EDP pagou) mostra bem como funciona o nosso sistema político (mandam as empresas produtoras de bens não transacionáveis) e a vitalidade da cidadania (mandam as corporações que têm acesso aos partidos). Para o cidadão comum, os cortes certos são para 2016 e as grandes benemerências para o período em que o atual governo talvez seja oposição. A margem de manobra do governo é reduzida, apesar de termos todos ouvido gritos governamentais afirmando que o Semi-Protetorado retomava a soberania económica. O Governo aprovou também o Programa de Estabilidade assim como o estranhamente datado Programa Nacional de Reformas 2015-2019. O Economista Português  analisá-los-á quando estiverem disponíveis, se  o bem comum justificar tal exame.

3 responses to “O Orçamento dos Gambuzinos (2016): Os Reformados pagam, o Setor energético recebe

  1. Só uma nota. Actualmente a CES só incide sobre as pensões superiores a 4.611 euros mensais.
    Aqui, por exemplo:
    http://saldopositivo.cgd.pt/todas-medidas-que-vao-afetar-vida-dos-pensionistas-em-2015/

  2. O Economista Português agradece a correção.