A Fortaleza Europa declara Guerra aos Passadores

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Os imigrantes clandestinos estão sobretudo no Mediterrâneo central e, a seguir, no sudeste continental da União Europeia (Fonte: Le Figaro).

Desorientação e incompetência foi o que revelou ontem a reunião dos ministros do interior e dos negócios estrangeiros e da administração interna da União Europeia (UE) para tratarem dos naufrágios no Mediterrâneo de imigrantes clandestinos destinados ao Velho Continente. Não havia nem há nenhum plano nem nenhuma política, mas um simples conjunto de medidas improvisadas e mal amanhadas (parece que amanhã as amanharão).

A falta de luz vem do alto. «A raiz do problema», afirmou Matteo Renzi, o chefe do executivo italiano, está em destruir os passadores de emigrantes, esses novos «esclavagistas». O Presidente francês Hollande cantou ontem a mesma canção, só diferindo em qualificar os passadores de «terroristas». A UE prepara-se para os bombardear na Líbia – porque o controle do mar obriga a salvar as vidas em perigo no oceano, o que, sempre boa e humanitária, a UE prefere não concretizar.

Se os transportes da Líbia para a Europa são tão assassinos é porque a UE não os quer melhores, para evitar mais imigrantes africanos e médio orientais. A raiz do problema é a guerra e a miséria na África do norte e no Médio Oriente, não são os passadores. Os passadores são apenas a consequência do problema. Os dirigentes europeus confundem o efeito com a causa. Por isso condenam-se a agravar o problema. É o que têm conseguido, graças à sua política de «Fortaleza Europa». Em vez de fortalecerem os Estados do Maghreb, os países europeus (com a honrosa exceção da Alemanha)  aceitaram a incitação do Presidente Obama para destruírem à bomba o seu aliado Kadhafi, o chefe da Líbia, e assim tiraram a tampa que continha a emigração, entregando a África sahariana e subsahariana a grupos fundamentalistas islâmicos e aos restos do kadhafismo. O ex-presidente francês Sarkozy, um dos mentores desta extraordinária estratégia, voltou hoje a ser um dos políticos mais populares de França, o que diz bem da educação política dos europeus em geral e dos franceses em particular. Aliás, basta ouvirmos um curioso serzinho, que dá pelo nome de Exmª Srª D. Filipa Mogherini, que certamente por tiragem à sorte foi escolhida entre 350 milhões de europeus como chefe da diplomacia da UE, para logo nos darmos conta dos abismos de irresponsabilidade a que desceu a produção da política externa europeia.

A reunião ministerial de ontem mostrou também que a UE está isolada dos Estados do Maghreb e do Médio Oriente. Aliás, ontem mesmo, o Presidente sírio, Bachar Al-Assad, acusou a França de apoiar os terroristas, numa entrevista à televisão francesa. Infelizmente tem razão.

Substituindo a política por novos bombardeamentos, a UE afundar-se-á moralmente e isolar-se-á estrategicamente, só conseguindo agravar o problema. Mas os nossos dirigentes deitar-se-ão com a mesma tranquilidade com que mataram o coronel Kadhfi, convencidos que derrotam a extrema direita aplicando aos imigrantes uma política de extrema-direita.

A UE tem que definir uma política humanista para o problema da imigração, assente num plano Marshall para a África sahariana, a subsahariana e o próximo Médio Oriente, tem que procurar aliados entre os países e Estados da região, recusando o fascínio do bunker solitário. Só neste contexto deve ser convocada a nossa força militar. O nosso governo tem que conseguir que não nos obriguem a engolir uma quota de refugiados e imigrantes, que nos tornará parte de um problema que só em parte mínima é nosso.

2 responses to “A Fortaleza Europa declara Guerra aos Passadores

  1. José António Veloso

    Não se pode dizer melhor em tão poucas palavras!

  2. O Economista Português agradece o comentário do Dr. José António Veloso