Mortes no Mediterrâneo: a UE aprovou ontem um Compromisso e afastou-se de uma Solução

ImigrantesAnualBBCCom a imigração ilegal a aumentar em 2013, os dirigentes europeus tinham a obrigação de estarem prevenidos – e não estavam (fonte: BBC)

Os dirigentes da União Europeia (UE) reuniram ontem para tratarem da questão da imigração: triplicam os fundos da operação Tritão, o que agrada a quem quer salvar vidas no mar e dissuadir as viagens marítimas dos imigrantes; prometem destruir os navios dos passadores, o que agrada à Itália que parece querer voltar de armas na mão à Tripolitânia; prometem recambiar os imigrantes que não forem refugiados, o que agrada ao eleitorado; falam muito na cooperação com os Estados do sul do Mediterrâneo e propõem-se colocar funcionários de imigração no estrangeiro, o que agrada a todos os que conservam uma réstia de bom senso; aumentam as verbas prometidas aos Estados da «linha da frente», o que agrada à Itália, a Malta, à Grécia.

Este amontoado de decisões alia a patetice – destruir «navios de passadores» é tão impossível como proibir a venda de facas que sirvam para assassinar –, o inverosímil – recambiar os imigrantes – e as trancas postas na casa roubada – mandar agora mais navios para o Mediterrâneo. Parece que evitámos as quotas de refugiados, haja Deus. Mas os dirigentes da UE mantêm uma política de imigração irrealista e desumana, um política sem uma ideia que só tem em conta os supostos refugiados políticos e não reconhece a imigração económica, não lhe dando por isso um estatuto legal. Por isso, as decisões de ontem:

> Diminuem a conflitualidade intra-UE mas  aumentam a conflitualidade com os países de origem dos refugiados;

>> Mostram que a UE está para a ameaça imigratória como o Estado Novo estava para as colónias: quer resolver um problema político por meios militares. Pela mão leninista da Chancelarina Merkel, com a pateta aquiscência dos nossos credores e dos nossos colegas devedores,  a UE já arranjou duas guerras nas suas fronteiras; na Ucrânia, com a Rússia; em África e no Médio Oriente com o ISIS/Desch. Arranjará mais algum conflito armado? Porque não com o Reino Unido ou com os Estados Unidos?

Concluamos: «Mas, Exm.º Senhor, será possível viver sem ideias?» Antero de Quental, na carta ao Primeiro-ministro protestando contra a proibição das conferências do Casino, em 1871.

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