David Justino: a Retenção escolar sai cara

DavidJustinoDavid Justino

Mais de um terço dos alunos portugueses com 15 anos já repetiram pelo menos um ano no ensino básico. No ensino secundário, 40% dos alunos repetiram mais de dois anos. Estes dados foram elaborados pelo Prof. Doutor David Justino, autor de investigações histórico-económicas, antigo ministro da Educação e atual presidente do Conselho Nacional de Educação, num trabalho intitulado «Cultura de retenção O que é e quanto custa», apresentado o mês passado numa conferência dos Empresários para a Inclusão Social (EPIS). O presente post resume esse trabalho e os gráficos são do Prof. David Justino (aos quais O Economista Português acrescentou por vezes sublinhados a encarnado). A retenção é sinónimo de repetição do ano escolar: o aluno é retido, isto é, não é autorizado a passar para o ano seguinte.
JustinoAnosDeMaiorRetençãoAs repetições começam em força no 2º ano de escolaridade (quando as crianças têm uns sete anos !), duplicam no 5º (primeiro ano do 2º ciclo), aumentam 50% no 6º ano (o ano final do segundo ciclo), rondam os 15% do total no terceiro ciclo e aumentam no 9º ano (o último ano do terceiro ciclo e o final do ensino básico). Disparam para mais de 35%, no décimo segundo ano, o final do ensino secundário. As taxas de repetição são mais baixas nas turmas técnico-profissionais, exceto no 12º ano.
JustinoRepetiçãonaEuropaPortugal tem uma das mais elevadas taxas de repetência da União Europeia.
David Justino interroga-se se «os exames são o principal fator de insucesso escolar?» e responde com a tabela seguinte, que regista as reprovações nos exames no final de cada um dos ciclos do básico.
JustinoExamesEInsucessoEscolarBásicoA tabela mostra que os alunos reprovados nos exames nunca são mais de 2% dos candidatos no ensino básico (a tabela não inclui dados relativos ao secundário),
David Justino propõe-se depois identificar o custo económico do insucesso escolar; opera em dois momentos. Começa por apresentar os valores dos salários médios no setor privado segundo os graus de ensino e as idades dos assalariados. A hierarquia remuneratória dos graus de ensino é a esperada: o mais elevado é o do superior, a seguir vem o secundário (metade do superior), segue-se-lhe o 3º ciclo (nono ano), depois o 2º ciclo e por fim o 1º ciclo (a antiga quarta classe). Os dados constam do gráfico seguinte: em coluna estão os valores em euros e em linha as idades dos assalariados.
JustinoSalárioPorGrausDeEscolaridade
Num segundo momento, Justino calcula para os diferentes graus de ensino a diferença salarial acumulada numa vida ativa entre os 20 e os 65 anos. Ao longo destes 45 anos de trabalho, um diplomado com o Superior terá ganho mais 1,3 milhões de euros do que um outro assalariado que apenas concluíu o Secundário. A diferença entre o Superior e 3º ciclo (nono ano) sobe para 1,7 milhões de euros . Para Justino, é este o custo do insucesso escolar. De novo com o título «Quanto custa um trajeto de insucesso?», os valores constam da tabela seguinte.
JustinoCustoDoInsucessoTabela
Como o leitor já reparou, lemos a tabela acima da direita para a esquerda. O Prof. Doutor David Justino conclui propondo medidas para combater o insucesso escolar: a «central» é uma «estratégia nacional assente num compromisso político alargado visando a promoção de uma cultura de sucesso» a que acresce «e a promoção de uma escolaridade de 12 anos» a qual, em si mesma, é alheia à questão do insucesso escolar. Os «princípios orientadores», o que mais se aproxima de medidas específicas, assentam ou pressupõem a mobilização de mais meios financeiros. É o que consta da reprodução seguinte.JustinoMeidas

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Amanhã O Economista Português postará um comentário à comunicação de David Justino.

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