Sustentabilidade das Reformas > >>>>>>>>>>>>>> o Doutor Mário Centeno erra e desmente o PS

MárioCentenoDoutor Mário Centeno: Terrorismo politico entre a irreflexão e a irresponsabilidade

O Doutor Mário Centeno declarou anteontem numa entrevista ao Jornal de Negócios: «O sistema [da Segurança Social] perdeu oito mil milhões de euros nos últimos anos, deixou de ser autossustentável. Para que consiga ter o sistema de novo num trajeto de sustentabilidade, só tem duas hipóteses: ou cresce o emprego ou corta as pensões»,

Aquele ilustre economista laboral e distinto conselheiro da administração do BdP (Banco de Portugal), responsável da macroeconomia do atual préprograma eleitoral do PS, comete três erros técnicos sobre a sustentabilidade da segurança social, capítulo pensões de reforma:

1º É impossível prever o valor dos salários sem prever o futuro câmbio do euro, previsão que não entra naquele dilema; se o euro continuar baixo, ou se baixar mais, aumentará a probabilidade de criarmos mais empregos;

2º Se o emprego estacionar e a produtividade do emprego aumentar significativamente, a massa salarial aumentará e por isso o sistema gerará fundos suficientes para pagar as pensões atuais;  aliás, esta hipótese parece de momento a mais provável: se o euro retomar o seu curso ascensional, o mais certo é não conseguirmos criar emprego e conseguirmos aumentar os salários, os lucros – e o PIB e por isso a capacidade fiscal (embora  seja arriscado prever que esse aumento será suficiente para financiar as pensões); terá é que haver ajustamentos institucionais no financiamento das reformas e capacidade política para persuadir uma população desconfiada dos políticos que uma tal solidariedade será meritória;

3º Se o emprego estacionar, o eleitor pode decidir transferir dinheiro dos impostos para as pensões, respeitando o objetivo do saldo primário orçamental: pode, por exemplo, decidir gastar menos dinheiro a educar futuros emigrantes portugueses e pagar pensões aos que trabalharam em Portugal, por cá vivem e… votam. Se aquelas transferências orçamentais forem reduzidas, estáveis e previsíveis o sistema deverá ser considerado sustentável politicamente e financeiramente gerível.

Ignorando estas três situações, o Doutor M. Centeno consegue produzir aquele falso dilema e, na base dele, desenvolver num terrorismo político irrefletido e irresponsável.  Para que ela seja refletido e responsável, tem que saber que os seus cenários são irrealistas.

Como Centeno admitiu publicamente a hipótese de ser ministro de um eventual governo do PS, convém relembrar que o Dr. António Costa foi ministro de um governo socialista que ainda há poucos anos nos garantia que o financiamento das nossas pensões era sustentável. As declarações do Doutor M. Centeno talvez reforcem o seu poder pessoal no PS, mas colocam o seu chefe, Dr. A. Costa, na posição delicada de fazer promessas válidas por 50 anos que os seus revelam serem falsas dez anos depois de terem sido produzidas.

2 responses to “Sustentabilidade das Reformas > >>>>>>>>>>>>>> o Doutor Mário Centeno erra e desmente o PS

  1. Francisco Tavares

    Como habitualmente, análise lúcida sobre um assunto candente!

  2. O Economista Português agradece.