António Costa e o IRS: Objetivo impossível?

Capitalismo e socialismoCapitalismo e socialismo, ricos e pobres

Ontem, numa entrevista à TVI, António Costa informou que o PS incluirá no seu programa eleitoral novos escalões do IRS para aumentar a progressividade do imposto e «diminuir a carga fiscal sobre o trabalho». Estes dois objetivos serão compatíveis? Ou a fórmula   disfarça a exigência de mais sacrifícios à classe média? É que, de acordo com o que se considere ser rico, há muitos assalariados que são riquíssimos. Se aumentar a progressividade do IRS, o mais acerto é ser abrangida uma maioria de assalariados.

O Economista Português espera pelos números.

2 responses to “António Costa e o IRS: Objetivo impossível?

  1. De facto tem razão.
    Mas aquilo que chama assalariados não são trabalhadores especializados ou simples operarários fabris, que praticamente não existem.
    Se pensar bem ou porventura não queira ter pensado existe muito boa gente com ordenados milionários, com níveis de vida e bens de luxo, segundas casas, não estou a falar dos ricos, que deveriam entrar em escalões superiores e pagar maior percentagem de IRS.
    Nunca se falou num outro imposto, este sim, que incidiria aobre a fortuna.
    Não lhe vou explicar agora, mas é simples de aplicar. Veja por exemplo o caso da Suiça.
    Seria um bom tema para contrapor antes de impossibilitar a hipótese e considerar mais um sofrimento da classe média.
    O termo classe média é muito abrangente!
    Todos os dias leio a sua newsletter. Por vezes discordos dos seus pontos de vista.
    Felicidadese sucessos
    João Maria Pereira da Costa

  2. O Economista Português agradece o comentário e felicita-se pelas discordâncias, pois o seu objetivo não é criar uma nova ortodoxia económica mas suscitar o debate sobre os problemas económicos, práticos e teóricos. Vale a pena recordar que o imposto sobre o rendimento nasceu em França e em Portugal como um imposto sobre impostos: impostos parcelares tributavam os salários, os lucros, as rendas e um imposto dito «conplementar» englobava todos esses rendimentos. Esta estrutura, hoje considerada ultrapassada, permitia distinguir as taxas dos impostos segundo os diferentes tipos de rendimento. Passemos ao imposto sobre as fortunas. Quem diz fortuna, diz património (maior ou menor, a noção é tão fgluída como a de classe média). O leitor tem razão em afirmar que em Portugal não se tem falado em imposto sobre as fortunas mas, além do caso helvético, que menciona, poderíamos mencionar os casos francês e alemão, aliás recentes. Ambos correram mal e estão na origem de gigantescas fugas ao fisco.Por outro lado, o imposto sucessório deve ser encarado como um imposto sobre as fortunas e, como o leitor por certo sabe, o PS admitiu restabelecer esse imposto, incidindo precisamente sobre os maiores patrimónios. O Economista Português discorda da filosofia desses impostos sobre o património, que assentam na negação do dirreito de propriedade privada, e duvida que num universo globalizado e com live circulação de capitais seja possível aplicá-los num só país, por grande que seja.