Forum Mundial da Educação: Temos dos piores Ensinos e dos Professores mais bem pagos

ProfessoresSaláriosOCDE2015Fonte: http://www.oecd.org/forum/issues/oecd-forum-2015-in-figures-focus-on-education.htm

O Forum Mundial da Educação decorre para a semana em Seul, Coreia do Sul. Esta sessão reveste-se de forte valor simbólico, pois acontece quinze anos após o primeiro Fórum em que os governos do mundo se comprometeram com metas quantitativas para a instrução e estabelecerá por seu turno  novas metas para os próximos quinze anos. O balanço sumário para Portugal é negativo, apesar do otimismo do discurso oficial sobre o nosso ensino.
Para assinalar o Forum, foi divulgada uma amostra Pisa abrangendo setenta e seis países, um número superior ao estudado até hoje. Mesmo assim, a amostra está longe de ser representativa: a África conta apenas com cinco países, faltam a Ásia central, a Índia, a China, boa parte da Indochina. O Pisa estuda as competências em matemática e na língua materna, aos quinze anos.
Somos o 30º país da lista Pisa. Da União Europeia antes do alargamento a Leste, a UE15, apenas dois Estados-membros têm um ensino pior do que o nosso: a Grécia e a Suécia.
Haverá alguma razão objetiva que explique esta lamentável situação? Quando comparamos o vencimento dos professores em percentagem do dos assalariados com frequência do ensino superior, vemos que os nossos docentes são os terceiros mais bem pagos (os quartos, se contarmos o pequeno Luxemburgo). Os sulcoreanos são os mais bem pagos de todos mas a Coreia do Sul é o terceiro país do PISA (ou o primeiro, se excluirmos dois micro-Estados, Singapura e Hong-Kong, que encabeçam a lista). É o que consta do gráfico acima, produzido pela respeitada Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE) . Outro fator objetivo de atraso: serem baixos demais os nossos gastos em ensino como percentagem do PIB ; mas não são: não andam longe da média da UE.
A OCDE não se cansa de recomendar que, para haver um bom ensino, a prioridade é pagar bem aos professores. Ora os nossos professores são bem pagos, muito acima da média da própria OCDE, mas o nosso ensino é dos piores, muito abaixo da média da União Europeia. Vivemos pois num perfeito absurdo: os inputs da nossa escola são bons (pagamos bem aos professores), o output (a qualidade do nosso ensino) é uma vergonha. Como estamos em ano de eleições políticas, era bom que os candidatos enfrentassem este problema e propusessem soluções positivas. Os partidos políticos continuarão a preferir sindicatos do ensino bem dispostos a alunos sabedores? O Economista Português tem defendido uma medida económica: os vencimentos dos professores variarão em função do êxito dos seus alunos,  sendo esse êxito medido em exames independentes. Mas o problema é tão económico como moral.
Um dos fatores dos nossos problemas de ensino emergiu ontem, em singular coincidência com o Forum Mundial: a Federação Nacional de Educação anunciou com base num estudo sem estatuto científico definido, que um em cada três professores está à beira do esgotamento. Este sindicato parece beneficiar da reputação de ser dos mais sensatos do setor – mas não hesita em explorar o miserabilismo não fundamentado. Qual a cura para sindical para o «stress» docente? Declará-lo doença profissional dos professores, aumentar os salários e diminuir o número de alunos por turma e «exigir menos nas suas relações com alunos e pais». Será preciso comentar?

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Mais informações sobre o Forum e a lista dos países Pisa ontem divulgada em
http://www.bbc.com/news/business-32608772

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