Pré-programa do PS: Espumante ou Heroína?

PSPrograsma2015Na capa do seu novo programa, o PS trocou o tradicional cor de rosa pelo azul e branco da monarquia liberal

O Partido Socialista apresentou o seu pré-programa ou mesmo programa: são «21 causas» arrumadas em cinco pilares, ao que parece subordinados a «nove ideias» – mas nenhum meio de comunicação social disponível achou que valesse a pena divulgar essas nove «ideias». O Economista Português conhece a cara do programa mas ignora o texto, indisponível na web no momento em que é escrito o presente post pelo que é forçado a analisá-lo com base no que foi dado a conhecer pela imprensa diária. Quando for disponibilizada a versão pública, do que se apresenta como projeto, a ela voltaremos de modo mais sistemático.
Por ora, O Economista Português limitar-se-á a quatro comentários:
Como se compatibilizam os programas PS / António Costa e PS / Mário Centeno? Com efeito, há poucas semanas, o PS apresentou um outro programa em que anunciava a hipótese de voltar a cortar as reformas dos pensionistas. Diversamente, o programa de ontem é um Nirvana: só contém promessas amoráveis, amanhãs que cantam baixinho e outros céus cerúleos. Será que o PS vai a eleições com dois programas, o do céu cerúleo e o do corte das pensões de reforma? Ou o programa de ontem é para a hipótese mini-otimista do PS/Doutor Centeno e o Dr. Costa não se responsabiliza por ele se o PIB crescer menos do que o PIB/Centeno? Ou ainda: o programa ontem anunciado é aplicável seja qual for a taxa de variação do PIB? Sem a resposta a estas perguntas, o programa não vale o tempo que ocupa no seu monitor, caro leitor.
O programa socialista de ontem só prevê amanhãs que cantam o que parece irrealista num horizonte a quatro anos. Ao lê-lo, pensamos que é um  manifesto eleitoral para um país como  a Noruega, cujo principal problema financeiro é a baixa do juro da dívida pública … alemã.
O PS apresentou um programa orçamental e não um programa social: o programa gaba-se de não aumentar o défice do Orçamento do Estado, o que aliás não está demonstrado. Mas nunca se gaba de aumentar a emprego ou o bem-estar social, que não tenta contabilizar, apesar disso ser hoje possível. Não vimos anunciada uma medida que fosse para aumentar a produção, o PIB.
O PS apresentou um programa para os lóbis: da construção e obras públicas à energia, passando pelos sindicatos de professores e pelo lóbi das empresas púlicas, da «lei das sesmarias» (arrendamento obrigatório dos espaços rurais não utilizados) para a Confederação Nacional da Agricultura – CNA ao aumento da ajuda aos pequenos agricultores, a piscar o olho à CAP, não parece haver um único lóbi que tenha sido esquecido.
Em S. Bento, o Dr. Passos Coelho acusou ontem o projeto de programa do PS de prometer este mundo e o outro (seguiria o caminho que «nos conduziu ao resgate»), mas a questão é diferente: o programa socialista de bacalhau a pataco orçamentado parece espumante mas sem crescimento económico será heroína dada a doente em estado grave.

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