A UE rejeita o Reino Unido

FortalezaEuropaO mapa acima  representa a Europa durante a Segunda Guerra Mundial, a «Fortaleza Europa», como a propaganda nazi a glorificava. O Reino Unido está de um lado e a Rússia de outro, ambos de fora da «Europa», ambos como inimigos. Estamos a voltar a ess tempo?

A comparação é alarmista e demagógica? Então não vamos tão longe. Queira o leitor examinar o mapa seguinte.EftaMercadoComumMapa

Há meio século os países europeus estavam divididos entre o então chamado Mercado Comum, a amarelo no mapa, polarizado pelo eixo franco-alemão, e a EFTA, a azul escuro, liderada pelo Reino Unido, a qual integrou o Portugal do Estado Novo. A Grã Bretanha estava de fora da «Europa». A Rússia, então comunista, também.

A comparação anterior surge devido ao modo como os países dirigentes da União Europeia (UE) estão a reagir à insensata proposta de revisão dos tratados, apresentada por Cameron como condição para a permanência daquele país na UE.  Anotemos que algumas das condições britânicas são-nos desfavoráveis pois aumentam as restrições à liberdade de circulação e à igualdade entre os cidadãos da UE. O primeiro ministro britânico esteve ontem em Paris com o Presidente François Hollande. Este, que pertence à internacional partidária oposta à  do inglês,  qualificou as propostas britânicas de ultimato, recusou qualquer revisão dos tratados (revisão aliás operada sem problema para impor a austeridade) e rejeitou portanto uma atitude compreensiva face aos problemas britânicos em geral e de Cameron em particular. Hollande seguiu a política de nacionalismo chauvinista face a Londres, embora devamos ter em conta que também está a trabalhar para a geral, tentando evitar a política de nacionalismo chauvinista do Front National, de Marine le Pen.

Dito de outro modo: a UE, que considera opcional incluir ou não a Grécia, tem a Grã-Bretanha como igualmente dispensável no projeto europeu. O leitor compreende o paralelismo com as situação acima cartografadas. Talvez valha a pena relembra que há dez anos, dia por dia, o eleitorado francês rejeitou o tratado constitucional europeu por causa do «canalizador polaco», que, se esse tratado fosse aprovado, emigraria imaginariamente para a Gália e mandaria o Astérix para o desemprego. Se o referendo fosse hoje repetido, quase dois terços dos franceses rejeitariam de novo esse tratado, símbolo do voluntarismo autoritário  do eixo franco-alemão. Além de falta de visão, os dirigentes da UE padecem de óbvia falta de bom senso.

Vale também a pena, em termos de comparações históricas, recordar, além da atitude da UE face à Grécia e à Grã-Bretanha, que os atuais dirigentes europeus conseguiram nos últimos  quatro anos abrir uma guerra com a Rússia, criar a crise político-social no Mediterrâneo e levar a Polónia a eleger há poucos dias um presidente anti-alemão – sugerindo que a atual política germanófila será em breve sucedida pela outra fase do signo secular de Varsóvia, a fase eslavófila.

3macacosSábiosA estes problemas reais, o grupo dirigente europeu responde com a política da avestruz: não vê, não ouve, não fala. É a sabedoria do macaco. Os mass media adotam um unanimismo forçado e oficioso que evoca o do Estado Novo e transforma a Guerra Fria num período áureo de liberdades públicas. Por isso, em França, nasceu ontem o Comité Orwell, para promover o pluralismo nos meios de comunicação social.

O leitor considera que a atual política UE diminui a probabilidade de guerra?

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