As Condições da Economia às Candidaturas a Presidente da República

RuiRioRui Rio

É evidente a relevância do cargo de Presidente da República para a nossa economia e para as nossas finanças. Mas essa relevância não tem aflorado na escolha dos candidatos, pelo menos ao que se sabe. Uma primeira condição deve a economia levantar a qualquer candidato: que compreenda os seus problemas e tenha capacidade para sobre ele formar um  juízo pessoal. Sem esta qualificação, o Presidente será sempre o homem de terceiros: quando tiver que resolver um problema político, terá que alienar a terceiros a decisão sobre a sua componente económico-financeira. O soberano será um mandatário e quem sabe se não será um mandarete. Além da competência, o candidato deve ter a independência de espírito e de carne necessária à difícil defesa dos interesses nacionais no contexto da União Europeia.

Rui Rio, um dos honens que alguém lançou para a berra das candidaturas presidenciais, é economista de profissão e por isso em princípio satisfaria aquela condição, embora seja duvidoso que  dê um bom Presidente por falta de gravitas e por  ter o perfil de um doer – um fazedor, quando o Chefe de Estado, por interveniente que seja, é um árbitro e não o chefe do executivo. Por isso, já há anos, O Economista Português sugeriu-o para Primeiro Ministro, sugestão de que aliás se não arrependeu.

O próximo Presidente da República deverá ser economista de formação ou de profissão? Não necessariamente – e, descontando mesmo um  descrédito recente que tinja aquela profissão ou a dismal science, é de referir que certas especialidades dela, como a micro-economia, não formam para estadista.

Entender a economia do ponto de vista da política  tanto está ao alcance de um economista, como João Salgueiro, ou de um jurista, como José Vera Jardim, pois  ambos ostentam formação humanista e capacidade de decisão sobre as grandes questões onde a economia se cruza com a civilização.

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