Préprograma PSD/CDS: Parabéns pela Retenção, Dr.Passos Coelho

PréProgramapsdEcdsAs cores dominantes são as verde e rubra, o laranja e o azulebranco são secundários >>> «divina surpresa», como diria o outro

O PSD e o CDS divulgaram ontem à noite dois documentos préprogramáticos aos quais os meios de comunicação social deram uma atenção diminuta. A comunicação podia ter sido melhor, é verdade. Foram divulgados dois documentos, quando o pobre eleitor se satisfaria apenas com um: «linhas de orientação geral para a elaboração de um programa eleitoral» e «carta de garantias». Estas «linhas» incluem «garantias», embora sem «carta».

O Economista Português limitará os seus breves comentários às «linhas gerais». O primeiro capítulo equaciona os anos da troika como um passado, criticando o PS quanto satis. O segundo capítulo são «desafios para um futuro melhor». O primeiro é «a questão demográfica» (sem valorizar o necessário papel futuro da imigração africana, mulata, asiática, brasileira se ainda for caso), o segundo sobre a «qualificação das pessoas» (onde parece faltar uma palavrinha do Prof. Nuno Crato) e o terceiro sobre «a competitividade das empresas e da economia» (sugerindo a contrario que a economia pode dispensar as empresas). O terceiro capítulo contém as nove «garantias», que nos limitaremos a enumerar, sem comentário algum: evitar novo resgate , recuperar o poder de compra, fortalecer o Estado Social, fidelidade a um modelo de crescimento económico, consolidação do Estado de Direito, modernização do sistema político, estabilidade em políticas de soberania e presença ativa na cena europeia e na cena internacional.

O leitor não notou nada fora do comum? Fora do comum em relação ao habitual recente dos partidos da coligação, claro. É um programa escrito numa perspetiva portuguesa (reparou que distingue a cena europeia da internacional, como se Portugal ainda existisse independente da «Europa»), é  virado para o futuro, dispensa ataques mesquinhos ou caricatos, pensa em crescimento económico. Adeus à sonhada meta «liberal e moscovitária» (Fernando Pessoa) de, por exemplo, não pagar pensões aos velhinhos. Suave embora, este novo estilo lembra o PSD (Partido Sem Descanso). É um programa ambicioso, sensato e reservado; aponta na direção de um programa de ação e  exclui um programa de elocução. Num certo sentido, o contrário do estilo do Dr. Passos Coelho, o chefe da maioria, que produz chispa e faísca como quem respira. Dado seu perfil público, imaginamos sem dificuldade o que ele terá sofrido para o aprovar, por o texto lhe cheirar a  cinzentismo, quando é prata, talvez mesmo mercúrio. Donde os parabéns pela retenção, que o levou a aprovar este programa: soube dominar, ao menos por um instante, os seus «espíritos animais» (J. M. Keynes). Afinal, o Dr. Coelho talvez não queira perder as eleições, o que promete algum encanto aos próximos meses. Por certo  o texto surpreendeu o Dr. António Costa, que nos últimos dias anunciara outro programa do PSD/CDS.

O texto agora divulgado foi escrito acima de tudo para o próprio PSD e o próprio CDS, como orientação para o programa que será apresentado ao eleitor. Logo o leitor verá se frutifica. Para já, exorcisa os piores demónios pretereleitorais que têm atormentado aqueles partidos.

Para ler as linhas e as garantias,

http://www.psd.pt/ficheiros/ficheiros/ficheiro1433363337.pdf

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