CO2: G7 aprova meta pior que a tendência

CO2G7AlemanhaElnau2015Fontes: cálculos d’ O Economista Português a partir de: promessas:  valores para 2050 do comunicado da reunião do G7;  tendência: http://www.nybooks.com/articles/archives/2015/jun/04/new-solution-climate-club/

O G7 afinal sempre tratou do CO2 na sua reunião do passado fim de semana, em Elnau, Alemanha. Deu-se a «meta» de baixar o rito de aquecimento da Terra para 2º anuais – pouco menos dos atuais 2,4º. Como os chefes do G7 não mandam no universo, é promessa para levar logo ao cesto dos papéis (ou ao «recycle bin»); de tão abstrusa, nem a podemos qualificar de laracha.
A segunda promessa destina-se a viabilizar a primeira e já está em princípio ao alcance do G7: consiste em até 2050 baixar a produção de CO2 no mínimo até 40% dos valores de 2010 (promessa melhor) e no máximo até 70% (promessa pior). O problema é que a promessa pior é pior do que os valores da tendência 1960-2000 para aquele remoto ano de 2050, como mostra o gráfico acima. Acresce que se acelerará a tendência para diminuir a produção de CO2 por unidade de produto pois os fabricantes de equipamentos e os descobridores de processos de fabrico trabalham agora nessa direção que se tornou uma vantagem competitiva. Ou seja: o G7 promete autorizar as emissões de CO2 a ficarem pior do que estariam se o G7 não fizesse nada daqui até ao ano 2050 – e, se fizer algo, pouco melhor ficaremos, sobretudo se tivermos em conta que a desaceleração da temmperatura se ficará por quatro décimas, um sexto  do atual ritmo de aumento. Convenhamos que é uma boa laracha. Vimos também a chancelarina Merkel, depois de se comprometer com a meta de 70%, a pior,  prometer que o resultado em 2050 estará mais próximo dos 40%, sem dar para tanto o menor argumento, indício ou sinal. O que é uma extraordinária laracha de humor negro pois todos calculamos sem dificuldade onde a Srª Merkel colocará à cobrança as suas promessas para 2050.
O G7 porém não hesitou em ultrapassar os limites do decoro intelectual: embora todos saibam que o Protocolo de Quioto falhou por admitir o borlista, o «free rider, o passageiro sem bilhete, o cenáculo de Elau repetiu a dose e não incluiu nenhum procedimento para o evitar. Pelo contrário: adotou a estratégia suicida de financiar os borlistas. O que não foi surpresa, pois era a favorita da Alemanha. Mas, em ukltrapassagem dos limites do decoro, não ficámos por aqui. Tivemos o gosto de ver o Presidente Barack Obama, chefe de Estado de uma nação que abandonou as metas de CO2 em protesto contra a vitória do borlista, assinar um papel que consagra a vitória do borlista. O leitor convirá de novo que é uma terceira boa laracha. Por isso, em dezembro a conferência de Paris sobre o clima será uma feira de demagogias – e de apelos insensatos ao bolso do contribuinte.
Em resumo: o G7 está a competir com os Malucos do Riso, pelo menos no campo da defesa do clima terrestre. Esperemos que no futuro os seus comunicados sejam servidos a tempo e horas e com banda sonora de gargalhadas, como na sitcom. Sempre criariam bom ambiente na sala do televisor.

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