A Grécia está a perder os Jogos da Teoria?

MattGreekTavernAtenas subestimou a sua impopularidade na opinião pública da União Europeia

Iannis Varoufakis, o ministro das Finanças grego,  fez saber quando foi nomeado que era um especialista em teoria dos jogos, um sinónimo para o estudo da decisão racional em condições de incerteza. O que, além de ter um chic louco,  ampliaria a sua vantagem negocial sobre os dirigentes da União europeia (UE),  nenhum dos quais publicou bibliografia sobre o assunto.

MattIoogurteGregoSe o Sr. Varoufakis não inventou nenhum novo jogo, cometeu vários erros. Começou por criar a convicção que queria um acordo rápido com os credores mas, não o tendo conseguido, autorizou os credores a jogarem o dilema do prisioneiro: ou pagas ou vais à bancarrota, o que é pior para ti do que pagares.  Dir-se-á que  a ameaça não tem credibilidade, pois a UE não pode expulsar a Grécia do Euro. Pode: dirá que aceita a readmissão imediata se houver outro governo, ou, mais diplomaticamente, se lhe aceitarem as condições.

Depois daquele primeiro erro, os Gregos responderam às ameaças com bons modos e a promessa de apresentação dos requeridos planos de reforma. Esta apresentação convence os credores que Atenas é «chicken», isto é, cobarde, ou sem meios para as suas políticas.  Por isso os credores, vulgo UE, insistem sem darem novas concessões e reforçam a campanha de opinião antigrega que por seu turno dificulta novas concessões.

Estes erros gregos de teoria dos jogos resultam de dois erros helénicos de apreciação da situação no terreno: a impopularidade grega é grande na UE e a maioria dos gregos não quer sair do Euro. Aquela impopularidade dificulta bondades dos credores; o amor ao euro impede Atenas de ter uma «capacidade de causar danos», isto é, de causar à outra parte prejuízos superiores aos ganhos que a outra parte obteria. Esses danos só poderiam ser a saída do Euro, já que as bolsas interiorizaram a atual crise grega e por isso não entraram em pânico, pelo que a curto prazo a saída grega teria poucos ou nenhuns custos (a médio e longo prazo seria o fim da federação UE: Washington conduziu uma guerra civil mortífera em meados do século XIX pois percebeu que morre uma federação que deixa sair a mal Estados federados).

MattGréciaDemasiadoProvavelmente, Atenas apenas pode jogar na irracionalidade da decisão da UE, pois esta está presa pela sua decisão de não expulsar a Grécia do Euro – e o Presidente Barack Obama foi à cimeira dos Sete dizer à Senhora Merkel que ela já está a causar demasiados transtornos aos EUA, será melhor não os agravar abrindo a crise com a  Grécia. Ora está visto que a Srª Merkel tem muita dificuldade em resistir a um pedido de Washington. Contudo, uma vitória neste quadro afigura-se pouco rendosa para Atenas.

 

 

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