Imigração para a UE: a Srª Merkel foi derrotada … e depois o Sr. Renzi limpou-lhe as Galochas

VentimigliaA polícia italiana ontem en Vintemiglia numa ação ordinária de defesa da União Europeia

«Gostávamos que os imigrantes fossem administrativamente distribuídos pelos países da União Europeia», afirmou há horas a chancelarina Merkel, que a BBC transmitiu ontem. A France 24, a televisãoão de propaganda francesa para o exterior, achou que não valia a pena incomodar  Monsieur e Madame Dupont com semelhante ninharia.  Dito de outro modo: a chancelerina alemã quer distribuir os imigrantes pelos métodos de que aprendeu an RDA (a Alemanha comunista, que ela chefiava quando aquele «país» caiu). Todos sabemos que os imigrantes africanos querem ir para a Alemanha e para França; ela quer obrigá-los a ficarem em Portugal, Espanha e Itália. Quem quererá emigrar da Síria para, digamos,a Grécia, ou mesmo para um país que as suas instâncias oficiais parecem considerar ao nível económico da Alemanha, por exemplo Portugal? O nosso sírio oficioso ainda outro dia se queixou de nós no  Diário de Notícias (por certo com razão).
Ontem, a proposta Merkel disfarçada de Juncker para estabelecer quotas de imigrantes  foi derrotada na reunião dos ministros do Interior da UE. Foi a primeira derrota da Srª Merkel na UE (na RDA já fora derrotada com a queda do comunismo). Na transparente e democrática UE, ninguém sabe o que se passou no conselho de ministros-UE de ontem; a ele voltaremos, na base do «diz-se». Ficaram todos muito amigos? Derrota alemã apenas momentânea? O Sr. Renzi, o primeiro ministro italiano, espera uma esmolinha? Por acaso, ontem, a Srª Marine Le Pen anunciou que finalmente constituiu um grupo no Parlamento Europeu, denominado Europa das Nações e das Liberdades.
Qual foi o pretexto da derrota merkeliana? O ex-comunista Sr. Renzi mandou uns desgraçados imigrantes africanos para Ventimiglia, uma terriola stendhaliana, que é a última estação ferroviária de quem vai de Itália para França, e, batendo em coragem de Ferrabrás a Srª Le Pen e o Sr. Berlusconi, sovou-os ele – em vez de os deixar irem para França o que significaria dar ao governo do Sr. Hollande a «glória» de ser ele a sová-los (na nova Europa recear muçulmanos e sovar africanos são necessidades ou glórias). No fim de semana passado, o Sr. Renzi (se ao menos fosse Rienzi!!!) tinha qualificado as quotas de imigrantes de «provocação» e anunciou ao Corriere della Sera o seu plano B: dar um título de residência temporário a cada um dos imigrantes. Esse título teria que ser reconhecido na UE e portanto a Alemanha teria que autorizar a entrada dos portadores deles, ou, quando não, suspender duradouramente os acordos de Schengen e portanto a abrir a crise. O Plano B do ex-comunista era afinal o Plano A do real ou suposto fascista italiano, um tal Berlusconi. Ontem, perante a pressão simultânea (mas talvez divergente no futuro) do Reino Unido, da Itália e dos países de Leste ex-comunistas, a Alemanha parece ter ficado isolada. O nosso país terá dado alguma opinião? A Espanha não esteve representada: El Pais, «el periódico global» publicado em Madrid, nem referiu o acontecimento na sua pantalla digital de hoje.

Merkel: Nacionalismo nas Finanças e Comunismo na Imigração
Portanto: a Srª Merkel quer distribuir as imigrantes à comunista (uma quota obrigatória por Estado-membro) e quer distribuir o dinheiro à capitalista (quem tnm dinheiro decide o que lhe fazer): a solidariedade obrigatória é só para os imigrantes, o dinheiro é só para os parceiros meritórios (vulgo semiprotetorados de 1ª classe). Se nos portarmos bem, a Srª Merkel dar-nos-á uma esmola para pagarmos os imigrantes que ela nos quer obrigar a aceitar em campos de concentração asseados, higiénicos e com música clássica transmitida noite e dia pelos altifalantes de fabrico europeu.

MerkelDeBikiniAngela Merkel quando promovia bikinis comunistas

 

A UE a caminho de uma crise grave

O Banco Central Europeu (BCE) não quer pagar à Grécia, ataca-a em público com parcialidade (como se isso fosse normal), e Renzi, atual chefe do governo italiano, não quer o plano do querido Sr. Juncker, comissário da Srª Merkel, sindicalista luxemburguês aposentado e atual presidente da Comissão Europeia, para distribuir os imigrantes em quotas pelos Estados-Membros da UE. É a vida (dele). O Sr. Renzi tem em Itália quase 200 mil imigrantes para alojar e alimentar ao passo que a Comissão bruxelina do querido Sr. Juncker propõe-se quotar … 22 mil. Cerca de um décimo das existências presentes – presentes. São esperados até ao Natal mais uns 300 mil. O Sr. Renzi ficou por isso um décimo contente. Acabamos de ver como reagiu: falou em «provocação». Foi a primeira revolta contra a Srª Mertkel. Os dois ex-comunistas. Merkel e Renzi, terão ontem assinado ocultas tréguas? No fim da referida reunião dos ministros do Interior uesianos, três deles, o italiano, o francês e o alemão apareceram à esquina a tocar a concertina: quotas só para os imigrantes que tenham direito a ficar, os outros serão remetidos à procedência. O italiano e o francês não só tocaram a concertina: dançaram o solidó pois engoliram a teoria alemã das quotas. A chancelarina Merkel, uma profissional esmerada, tinha estudado as lições de Álvaro Pais  ao Mestre: «dai aquilo que vosso não é, e prometei o que não tendes, e perdoai a quem vos não errou ». Nesta conformidade, a Srª Merkel deu ao espertalhão florentino o regresso a África dos 180 mil africanos extra-quota, que hoje estão em Vintemiglia a estudar se irão ao festival de Veneza ou se se dedicarão ao estudo dos mosaicos bizantinos de Rimini. A Srª Merkel deu o que não era dela e o Sr. Renzi agradeceu. Talvez tenha prometido introduzir na lei da UE a diferença entre imigrantes económicos e políticos (todo o pessoal de Ventimiglia é refugiado político, de acordo com a extraordinária lei da UE ). Mas as quotas ficaram suspensas, desculpar-se-á o sobredito Renzi. Ficou aprovado o princípio das quotas, dirão os observadores mais objetivos. Não ficou. Porque aqueles três senhores dispunham apenas de 87 dos 352 votos no conselho superior do Império Austro-Húngaro, perdão, União Europeia. O que aconteceu foi diferente: a Srª Merkel já conquistou mais 29 votos para o seu sonho de transformar a Europa numa grande RDA (a sigla da Alemanha comunista), a troco de coisa alguma. Os vencedores de ontem afinal não foram germano-franco-italianos, foram outros, cuja modéstia nos impede de por ora os conhecermos: talvez uma curiosa aliança dos britânicos com a Europa de leste.
De momento, Berlim aposta tudo em vergar a Grécia: «quem pestaneja, perde», titula hoje Der Spiegel, o hebdomadário hamburguense que nestas andanças tem sido o confidente regular da diplomacia alemã. A máxima tem o toque da elevação espiritual do cornaca em Emilio Salgari, mas é reveladora dum estado de alma – ou de um estado de propaganda, decorrente da teoria dos jogos.
Já sabemos que a Grécia sobe a parada até ao prazo da bancarrota: o dia 30 de junho. Todos estão de acordo sobre a data deste duelo, o que simplifica a questão. A Itália também a subiu, devido à crise dos imigrantes. Mesmo que Roma não continue a escalada, os factos são casmurros e os africanos continuarão a imigrar para a Europa (a pancadaria em Ventimiglia é um vergel comparada com as conveniências do Saará). São duas crises, que ambas tocam o eleitorado transalpino: na carteira a primeira, na segurança a segunda.
A Salvação  do Euro graças a dois carros de combate da Dniestra-Independente-Sempre?
Uma velha teoria, derivada do cálculo newtoniano (ou leibniziano), afirma que ninguém  consegue resolver três crises ao mesmo tempo: para resolvermos três crises (isto é: três variáveis), precisávamos de quatro equações resolúveis num sistema único e integrado.O que é impossível. Por isso, para a UE se incapacitar de decidir, só falta uma terceira crise: os rebeldes da Ucrânia marcharem para a libertação de Kiev, como há dias publicamente referiram (ainda não prometeram, é tudo pessoal da escola da Srª Merkel, prometer é ameaçar e quando ameaçam cumprem). Ontem, o Sr. Putin anunciou 40 novos amorosos mísseis intercontinentais, capazes de destruírem Nova Iorque 40 vezes, como resposta ao desvelado amor pela paz, revelado pela Polónia ao oferecer-se para abrigar amorável material de guerra «pesado» dos Estados Unidos, o qual se destina a … manter a Rússia em paz.
Será que amanhã ou depois, dois carros de combate da Dniestra-Independente-Sempre, a caminho do oeste, com a ajuda involuntária do Sr. Obama, da BBC e da Deutsche Welle, salvarão a Grécia e portanto o Euro? O referencial da pergunta anterior é a teoria dos jogos, claro (queira o leitor reler um post anterior). Acrescentemos a esse post o que agora é novo e revelador: a Rússia só deixará os carros de combate da Dniestra-Independente-Sempre avançarem para Kiev se a Alemanha alinhar com a propaganda anti-russa ontem mesmo desencadeada pela desnorteada televisão do Sr. Hollande, isto é, se a Rússia entender que a Alemanha não quer entender que Moscovo ameaça os Estados Unidos e poupa a Alemanha, também conhecida hoje em dia por Europa. Moscovo quererá verificar se na atual classe dirigente alemã ainda há quem se lembre dos discursos emocionados do coronel Beck, um bravo moço polaco que acabou mal. Os próximos dias serão emocionantes. E, o que não é melhor, os próximos anos parecem ir pelo mesmo caminho.

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